O SERINGAL

Três pesquisas em menos de uma semana e três retratos divergentes da eleição no Acre

A divulgação de três pesquisas eleitorais na mesma semana colocou a disputa pelo Governo do Acre diante de uma pergunta inevitável: em quem confiar?

Data Control, Delta e Quaest apresentaram cenários bastante diferentes, especialmente na disputa direta entre o senador Alan Rick (Republicanos) e a governadora Mailza Assis (PP). Enquanto um instituto coloca Mailza na liderança, os outros dois apontam Alan na primeira posição.

Mais do que medir a evolução ou a queda dos candidatos, os levantamentos acabaram revelando um evidente desencontro entre os institutos.

Os números das três pesquisas

Candidato Data Control — segunda Delta — terça Quaest — quinta
Alan Rick 27,5% 32,50% 33%
Mailza Assis 34,9% 29,33% 24%
Tião Bocalom 15,3% 15,01% 15%
Thor Dantas 2% 3,38% 2%

A diferença mais gritante envolve Mailza Assis. Na Data Control, divulgada na segunda-feira, a governadora apareceu com 34,9%, liderando Alan Rick por 7,4 pontos percentuais.

No levantamento da Delta, apresentado na terça-feira, o cenário virou. Alan alcançou 32,50%, enquanto Mailza ficou com 29,33%. A vantagem do senador passou a ser de 3,17 pontos.

Já na Quaest, divulgada nesta quinta-feira pela Rede Amazônica, Alan manteve praticamente o mesmo patamar registrado pela Delta, com 33%. Mailza, porém, caiu para 24%, deixando o senador com uma vantagem de nove pontos percentuais.

Alan cresce ou apenas varia conforme o instituto?

Alan Rick aparece com números relativamente próximos nas pesquisas Delta e Quaest: 32,50% e 33%, respectivamente. A Data Control é o ponto fora dessa curva, ao atribuir ao senador 27,5%.

Entre o menor e o maior resultado de Alan existe uma diferença de 5,5 pontos percentuais. Os números sugerem que o candidato está consolidado na faixa dos 30%, embora a Data Control tenha registrado um desempenho inferior.

O senador pode interpretar os dois levantamentos mais recentes como sinal de força e estabilidade. Mas não seria correto afirmar, apenas pela comparação, que Alan cresceu mais de cinco pontos em poucos dias. São institutos diferentes, com amostras, métodos, questionários e datas de coleta próprios.

Mailza concentra o maior desencontro

É no desempenho de Mailza Assis que aparece a maior contradição.

A governadora saiu de 34,9% na Data Control para 29,33% na Delta e chegou a 24% na Quaest. Entre o melhor e o pior resultado existe uma distância de 10,9 pontos percentuais.

A pergunta é inevitável: Mailza teria perdido quase 11 pontos em poucos dias ou os institutos estão captando eleitorados diferentes?

Uma queda dessa dimensão, em período tão curto, exigiria algum acontecimento político extraordinário capaz de provocar uma debandada repentina de eleitores. Não houve, aparentemente, um fato com esse peso durante a semana.

Isso indica que a diferença provavelmente está muito mais relacionada às metodologias, à composição das amostras e à forma de abordagem do que a uma transferência real e imediata de votos.

Na prática, a Data Control mostra uma Mailza líder e fortalecida. A Delta apresenta uma governadora competitiva, praticamente empatada com Alan. A Quaest desenha uma candidata em segundo lugar e nove pontos atrás do adversário.

São três fotografias bastante diferentes da mesma eleição.

Bocalom é o único realmente estagnado

Se há um ponto de convergência absoluta entre os três institutos, ele atende pelo nome de Tião Bocalom.

O ex-prefeito aparece com 15,3% na Data Control, 15,01% na Delta e 15% na Quaest. A variação é de apenas 0,3 ponto percentual, praticamente inexistente.

Bocalom parece ter um eleitorado fiel, mas também enfrenta dificuldades para romper a barreira dos 15%. Enquanto Alan e Mailza disputam a liderança, o candidato do PSDB permanece estacionado na terceira posição.

Essa estabilidade pode ser vista de duas maneiras: Bocalom não despenca, mas também não cresce. Seu desafio é ampliar o eleitorado para além do núcleo que já o acompanha.

Thor Dantas também apresenta estabilidade em patamar reduzido: 2% na Data Control, 3,38% na Delta e 2% na Quaest.

Em quem confiar?

As três pesquisas são retratos produzidos por institutos diferentes. Nenhuma delas deve ser tratada isoladamente como uma previsão definitiva do resultado das urnas.

O eleitor precisa observar quem contratou cada levantamento, período das entrevistas, tamanho e distribuição da amostra, metodologia utilizada, margem de erro, índice de confiança e registro na Justiça Eleitoral.

O mais prudente é enxergar uma tendência formada pelo conjunto dos números:

  • Alan Rick aparece competitivo e lidera em dois dos três levantamentos;
  • Mailza Assis também está plenamente no jogo, liderando a Data Control e aparecendo próxima de Alan na Delta;
  • Tião Bocalom permanece estacionado em aproximadamente 15%;
  • Thor Dantas segue sem conseguir alcançar dois dígitos.

O dado mais seguro da semana não é a liderança absoluta de Alan ou de Mailza. É a confirmação de que os dois protagonizam a disputa, enquanto Bocalom permanece numa terceira posição extremamente estável.

A Quaest fortalece Alan. A Data Control impulsiona Mailza. A Delta aponta uma batalha apertada entre os dois.

Diante de tamanha diferença, a resposta para a pergunta “em quem confiar?” talvez seja incômoda: não se deve confiar cegamente em uma pesquisa isolada. O melhor termômetro estará na sequência dos levantamentos — especialmente quando pesquisas do mesmo instituto permitirem comparar períodos diferentes usando exatamente a mesma metodologia.

Até lá, cada campanha escolherá o número que mais lhe agrada. E o eleitor seguirá tentando descobrir qual dessas fotografias está mais próxima da realidade que será revelada pelas urnas.

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