O escândalo envolvendo uma emenda de R$ 17 milhões do deputado federal Eduardo Velloso destinada à Prefeitura de Cruzeiro do Sul já extrapolou a esfera administrativa e ingressou no campo da gravíssima suspeita. O Tribunal de Contas da União abriu investigação para rastrear o destino dos recursos após identificar indícios de fraude à licitação, contratação de empresa declarada inidônea, restrição à competitividade, publicidade inadequada, sobrepreço contratual e possível inexecução total ou parcial do objeto — verba que deveria beneficiar crianças com transtorno do espectro autista.
Tão escandaloso quanto os apontamentos do TCU é o constrangedor silêncio do prefeito Zequinha Lima, que até agora não ofereceu à sociedade uma explicação compatível com a gravidade dos fatos.
O caso desperta um inevitável alerta. Em janeiro, veio à tona que uma emenda de autoria do mesmo parlamentar, destinada originalmente a eventos culturais em Sena Madureira, acabou beneficiando um hospital pertencente à família do deputado após o redirecionamento dos recursos pela prefeitura. Agora, diante de mais um escândalo, a pergunta é inevitável: o dinheiro dos autistas também encontrou outro destino? Beneficiou, novamente, a unidade hospitalar controlada pelos patriarcas do parlamentar?
A sociedade acreana espera respostas. Se elas não vierem, restará apenas a sensação de que mais um escândalo milionário foi coberto pelo velho e conveniente manto da impunidade.
