O SERINGAL

88 certidões criminais comprovam Ficha limpa, transparência e o curioso recorde de Lula

88 certidões criminais. O número chamou atenção no registro da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva no Tribunal Superior Eleitoral e rapidamente entrou no radar da corrida presidencial de 2026.

Não porque quantidade de certidões seja sinônimo de condenação — não é —, mas porque o volume apresentado pelo candidato do PT se distancia significativamente daquele entregue, até agora, pelos demais presidenciáveis que tiveram seus registros consultados.

Segundo levantamento divulgado pelo Poder360, Lula apresentou 88 certidões, cerca de 13 vezes a média dos outros quatro candidatos analisados, que ficou em 6,75 documentos.

O episódio recoloca no centro do debate eleitoral duas palavras que deveriam ser inseparáveis de qualquer candidatura: ficha limpa e transparência.

A legislação eleitoral determina a apresentação de certidões criminais fornecidas pela Justiça Eleitoral, Federal e Estadual. O próprio TSE estabelece que, quando houver certidão positiva, podem ser exigidos documentos complementares sobre os processos correspondentes.

Portanto, o dado precisa ser tratado com precisão. 88 certidões não significam 88 processos, muito menos 88 condenações. São documentos provenientes de diferentes órgãos e instâncias da Justiça, reunidos para cumprir as exigências do registro eleitoral.

Mas há, sim, um aspecto político que merece atenção: quanto mais transparente for o candidato sobre sua trajetória judicial, patrimonial e política, maior a capacidade do eleitor de fazer sua própria avaliação.

E transparência, em uma democracia, não deveria ser encarada como favor. É dever.

A chamada Lei da Ficha Limpa não pode ser reduzida a uma disputa retórica entre grupos políticos. Ela representa uma expectativa objetiva do eleitor: saber quem está pedindo seu voto, qual é sua trajetória e se existem impedimentos jurídicos à candidatura.

No caso de Lula, o recorde de certidões produz um efeito curioso na eleição de 2026. O número é grande, chama atenção e inevitavelmente provoca perguntas. Mas as perguntas precisam ser respondidas pelos documentos, não por narrativas partidárias.

É justamente aí que entra a importância dos dados públicos.

O TSE determina que os documentos apresentados no registro possam ser acessados pelos interessados. Ao mesmo tempo, estabelece limites para a exposição de dados pessoais, preservando informações como endereço residencial completo, telefone e e-mail pessoal.

Ou seja: transparência não significa devassa da vida privada. Significa acesso às informações que interessam à vida pública.

O eleitor tem direito de conhecer a ficha eleitoral e jurídica de quem pretende ocupar o cargo mais poderoso da República. E o candidato, seja Lula ou qualquer outro, tem o dever de conviver com o escrutínio público inerente à disputa presidencial.

No fim das contas, o número 88 é mais do que uma curiosidade estatística. É um lembrete de que, em uma eleição presidencial, ficha limpa, transparência documental e direito à informação precisam caminhar juntos.

Porque o eleitor não está escolhendo apenas um nome para a urna. Está escolhendo alguém para administrar o país — e quanto mais clara estiver a ficha apresentada à sociedade, melhor para a democracia.

Sair da versão mobile