A votação da proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1, prevista para esta quarta-feira (14), no Senado Federal, coloca os três representantes do Acre diante de uma decisão sobre a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial, e a garantia de dois dias de descanso por semana.
Os senadores Alan Rick (Republicanos) e Sérgio Petecão (PSD) já anunciaram voto favorável à mudança, defendida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Alan chegou a anunciar que interromperia atividades de campanha para acompanhar as votações em Brasília, independente de ideologias político-partidárias, mas com ênfase absoluta no interesse dos trabalhadores. Petecão também reafirmou publicamente seu apoio à proposta.
A situação é diferente no caso do senador Márcio Bittar (PL), reeleito em 4 de outubro. Aliado do presidenciável Flávio Bolsonaro, Bittar trabalha para postergar a votação.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, parlamentares oposicionistas discutem estratégias como o esvaziamento do plenário, que poderia comprometer o quórum necessário, e alterações no texto para prolongar a tramitação. A articulação ocorre em meio à disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro. Há ainda um componente político relacionado ao futuro mandato de Márcio Bittar., que se articula para assumir um ministério em provável governo de direita, o que abriria a vaga ao seu primeiro suplente, Jebert Nascimento (PL), empresário ligado ao setor de terceirização de serviços.
A proposta exige pelo menos 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos de votação no Senado. Sua tramitação, portanto, depende tanto da presença dos parlamentares quanto da formação de maioria qualificada.
A dimensão social do debate é significativa. Estimativas apresentadas durante a discussão apontam que aproximadamente 40 milhões de trabalhadores poderão ser alcançados pela mudança. Defensores da PEC destacam a ampliação do descanso e da convivência familiar, enquanto opositores e parlamentares que pedem mais tempo de análise levantam preocupações com os custos de adaptação para empresas e setores produtivos.
Para os trabalhadores do Acre e de todo o Brasil, o resultado mostrará quais parlamentares apoiaram a proposta, quais se opuseram e quais participaram de iniciativas para alterar seu calendário de votação.
