O risco de uma grave crise hídrica acendeu o sinal vermelho no Acre. Caso a previsão de uma estiagem prolongada se confirme, os municípios de Epitaciolândia, Xapuri e Acrelândia podem enfrentar um colapso total no abastecimento de água tratada já nos próximos três meses.
O alerta é do Serviço de Água e Esgoto do Estado do Acre (Saneacre), responsável pela captação e distribuição de água nos 22 municípios acreanos. Um relatório elaborado em conjunto com a Defesa Civil Estadual aponta que a redução acelerada do volume dos mananciais coloca as três cidades em situação de máxima atenção.
Atualmente, o abastecimento dessas localidades depende da captação em pequenos igarapés e açudes, fontes naturais de baixa capacidade de armazenamento que sofrem queda drástica na vazão durante o verão amazônico.
Em Epitaciolândia, por exemplo, a água consumida pela população é retirada do Igarapé Encrenca. Nos últimos anos, a intensa ocupação urbana de suas margens e o avanço do assoreamento reduziram significativamente a capacidade do manancial, tornando o sistema cada vez mais vulnerável à seca.
Situação semelhante é registrada em Xapuri e Acrelândia, onde os mananciais também apresentam sinais preocupantes de degradação ambiental e redução do volume de água disponível. Agora, as mesmas comunidades que contribuíram para a ocupação desordenada dessas áreas podem sentir diretamente os efeitos da escassez.
O diretor-presidente do Saneacre, Giovane Soares, informou que os três municípios já foram incluídos na lista de prioridade máxima para adoção de medidas emergenciais caso a estiagem continue agravando o cenário.
“Quando o volume de água fica muito baixo, temos dificuldade para fazer a captação com os equipamentos convencionais. A alternativa é utilizar máquinas pesadas para escavar o leito dos mananciais e instalar bombas menores para manter o abastecimento, ainda que em volume reduzido, como já ocorreu em anos anteriores”, explicou.
O Saneacre não descarta a possibilidade de colapso no sistema de abastecimento durante o auge da seca. Com menos água bruta disponível, as Estações de Tratamento de Água (ETAs) passam a operar no limite da capacidade, obrigando a autarquia a reduzir a pressão na rede ou implantar rodízios no fornecimento para evitar a interrupção completa do serviço.
Diante desse cenário, a orientação é para que a população economize água desde já. A recomendação inclui evitar lavar calçadas, veículos e quintais com mangueira, não deixar torneiras abertas desnecessariamente e eliminar vazamentos nas residências.
A preocupação, porém, não se restringe ao interior. Rio Branco, que historicamente enfrenta dificuldades de abastecimento durante os períodos de estiagem, também integra a lista de municípios monitorados. Bairros localizados em áreas mais altas e regiões periféricas costumam sofrer com baixa pressão e interrupções no fornecimento nos horários de maior consumo.
Com a previsão de um verão amazônico rigoroso, autoridades alertam que o uso consciente da água deixou de ser apenas uma recomendação e passou a ser uma medida essencial para reduzir os impactos de uma possível crise hídrica que ameaça atingir milhares de famílias acreanas.
