Em Barueri, Alysson visitou a sede da JTP, empresa que assumirá a operação do transporte coletivo da capital. Depois, seguiu para Botucatu, onde estão sendo produzidos os 60 novos ônibus que deverão chegar a Rio Branco até o fim de setembro, segundo a previsão apresentada durante a visita.
É um contraste inevitável com a gestão de Tião Bocalom.
Foi durante a administração anterior que o sistema entrou em uma de suas fases mais turbulentas, com a população convivendo diariamente com veículos precários, atrasos, reclamações e uma crise que parecia não ter fim. Agora, Alysson assume a missão de tentar fazer aquilo que, para milhares de usuários, ficou como uma promessa não cumprida: entregar um transporte coletivo que não seja tratado como um castigo diário para quem depende do ônibus.
Os veículos que estão sendo fabricados terão ar-condicionado, Wi-Fi, carregadores USB, poltronas acolchoadas e equipamentos de acessibilidade. Mais do que modernidade, a nova frota representa uma tentativa de recuperar usuários que abandonaram o transporte coletivo diante da baixa qualidade do serviço.
“Estamos buscando uma melhor qualidade para o usuário de Rio Branco e levando o que há de melhor para a nossa capital”, afirmou Alysson durante a visita à sede da empresa que vai operar o sistema.
Na fábrica da Caio Induscar, o prefeito acompanhou as etapas de produção dos veículos e voltou a prometer uma mudança profunda.
“A realidade do transporte coletivo vai mudar na nossa capital”, declarou.
A frase agora será colocada à prova nas ruas.
Alysson não herdou apenas uma prefeitura. Herdou também um dos maiores problemas urbanos de Rio Branco. E sabe que, nesse caso, discurso não embarca passageiro. Quem depende de ônibus quer horário cumprido, veículo em condições de uso, segurança, conforto e respeito.
A presença do prefeito na fábrica e na sede da nova operadora é, portanto, uma demonstração de que a nova gestão quer assumir publicamente a responsabilidade pelo resultado. Se os ônibus chegarem, as linhas funcionarem e o serviço melhorar, Alysson terá conseguido fazer em poucos meses aquilo que a população cobrou durante anos.
O desafio, porém, não termina com a chegada dos veículos.
Sessenta ônibus novos podem mudar a paisagem do sistema, mas a verdadeira transformação dependerá da operação, da fiscalização, da manutenção da frota, do cumprimento das linhas e, principalmente, da capacidade da Prefeitura de impedir que Rio Branco volte ao ciclo de empresas problemáticas, ônibus sucateados e usuários abandonados nas paradas.
Por enquanto, Alysson Bestene escolheu fazer algo que seu antecessor não conseguiu transformar em realidade: sair do gabinete, acompanhar pessoalmente quem vai operar o serviço e ver de perto os ônibus antes que eles cheguem à cidade.
Bocalom passou anos administrando a crise. Alysson quer administrar a solução.
A diferença entre uma coisa e outra, porém, será medida não nas fotos da fábrica, mas nas paradas de ônibus de Rio Branco.
