A execução da médica Elyne de Assis Nogueira, assassinada a tiros em Brasiléia, no interior do Acre, custou R$ 40 mil. A informação foi revelada pelo delegado Alex Dany, responsável pelas investigações, que avançam sobre a identificação de todos os envolvidos na trama criminosa.
Segundo o depoimento prestado à Polícia Civil pelo autor dos disparos, o ex-presidiário Lucival Lopes de Souza, ele recebeu R$ 10 mil para matar a médica. Os outros R$ 30 mil teriam sido divididos igualmente entre dois intermediários, que receberam R$ 15 mil cada um para negociar a contratação do pistoleiro.
De acordo com a linha de investigação apresentada pela polícia, os intermediários teriam sido contratados pelo advogado Francisco Valadares Neto, ex-namorado da vítima e apontado como suposto mandante do assassinato.
A revelação expõe uma possível cadeia de contratação criminosa, com um mandante, dois negociadores e um executor, segundo a hipótese investigada pela Polícia Civil.
Os dois intermediários ainda estão sendo procurados. Suas identidades não foram divulgadas, e a polícia trabalha para localizá-los e esclarecer a participação de cada um no planejamento e na execução do crime.
Pistoleiro já está no presídio de Rio Branco
Lucival Lopes de Souza teve a prisão preventiva decretada na tarde desta sexta-feira (6), após passar por audiência de custódia. Ele já foi encaminhado ao sistema penitenciário de Rio Branco, onde permanecerá à disposição da Justiça.
O depoimento do suspeito é considerado uma peça importante para a investigação, especialmente por apresentar informações sobre a divisão do dinheiro destinado à execução da médica.
Carta de despedida permanece sob sigilo
Outro ponto ainda cercado de mistério é o conteúdo da carta de despedida deixada pelo advogado Francisco Valadares Neto, encontrado desacordado em sua residência após ingerir medicamentos em quantidade excessiva, em uma aparente tentativa de suicídio.
Valadares permanece internado no Pronto-Socorro de Rio Branco. Contra ele também foi decretada prisão preventiva, pela participação no assassinato da ex-companheira.
O delegado Alex Dany não revelou o teor da carta nem esclareceu se o documento contém referências à morte de Elyne, aos suspeitos ou às circunstâncias investigadas.
Com o suposto executor preso e o advogado apontado como mandante, a prioridade da Polícia Civil passa a ser a localização dos dois homens que teriam recebido R$ 15 mil cada um pela intermediação do assassinato.
A investigação ainda precisa esclarecer como os pagamentos foram realizados, se houve transferência bancária ou entrega de dinheiro em espécie e quais provas sustentam a versão apresentada pelo suspeito preso.
