O SERINGAL

Avião pousou às 18:30h em Feijó: documentos desmontam a farsa do prefeito Railson, que explora morte de amigo para fins eleitoreiros

O avião da Ortiz Taxi Aéreo pousou pontualmente às 18:20h da última segunda-feira, na pista de Feijó (AC), com o propósito de embarcar e transportar o servidor público municipal Anderson da Costa Montefusco, de 32 anos, a pedido do Hospital Regional daquele município. O avião partiu de Cruzeiro do Sul. O registro de voo indica que a aeronave seguiu ao protocolo da regulação médica, e desmente a versão apresentada pelo prefeito da cidade, Railson Silva, que, em vídeo em sua rede social, disparou uma fake news afirmando que “a aeronave não veio” (veja na reportagem abaixo).

Documentos obtidos com exclusividade pela reportagem de oseringal apontam que, três minutos após o pouso, o médico socorrista Miguel Washing, do Samu, que acompanhava o caso, comunicou o falecimento do servidor. Em seguida, Marcelo Ortiz, um dos sócios da empresa, insiste, em comunicação direta com o hospital: “a aeronave está em solo. Se tiver algum outro paciente para retornar, favor avisar”.

Anderson recebeu os primeiros atendimentos, foi liberado e, em seguida, passou mal em via pública quando subiu em sua motocicleta. O médico do Samu relata abaixo, em áudio, que resgatava duas crianças intubadas, em situação clínica crítica, desde o município de Santa Rosa do Purus, e que o pouso em Feijó ocorreu no horário programado.

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Sem buscar a verdade, o prefeito gravou, ainda ao anoitecer, na frente do hospital, atacando os profissionais de saúde e acusando, de forma leviana, uma suposta falha na regulação. Noutro momento, uma internauta, Pâmela Moraes, esposa do secretário de Educação de Feijó, também sem procurar a verdade, foi ao Instagram reforçar a versão mentirosa do prefeito: “o avião não chegou pra pegar ele”, disse ela (veja abaixo).

A Ortiz, conveniada com o Estado, foi acionada em emergência.

O que aconteceu com Anderson

O paciente deu entrada na unidade na noite de domingo, 20, onde recebeu assistência médica. Após a confirmação de infarto agudo, foi submetido à trombólise, procedimento indicado para restabelecer o fluxo sanguíneo. Diante da necessidade de continuidade do tratamento em uma unidade de referência, a equipe médica solicitou sua transferência aeromédica, mantendo o paciente sob assistência enquanto aguardava o transporte.

Conforme informações do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a programação dos voos foi definida a partir de critérios técnicos de urgência e gravidade dos casos em atendimento naquele momento. Duas crianças apresentavam quadro clínico de maior urgência, com risco iminente de necessidade de intubação, o que determinou a ordem dos transportes aeromédicos. Enquanto as crianças eram transportadas, o paciente era estabilizado para poder suportar a viagem até a capital.

Uma morte exige responsabilidade, não exploração política

A morte de um jovem servidor público de apenas 32 anos é uma tragédia que merece respeito à família, esclarecimento técnico e apuração rigorosa de cada circunstância.

Também exige responsabilidade de autoridades públicas.

Se havia dúvidas sobre horários, prioridades ou procedimentos da regulação, elas poderiam — e deveriam — ser esclarecidas mediante registros oficiais, prontuários, comunicação do Samu e dados de voo.

Transformar uma tragédia em acusação pública antes da verificação desses elementos contribui para desinformar a população e expõe profissionais que estavam envolvidos em atendimentos de extrema gravidade.

 

Duas crianças intubadas como prioridade: prefeito de Feijó transforma morte de amigo em palanque político, é desmentido e deve desculpas públicas

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