O SERINGAL

Bolsonaro, Bolsonaro, Bolsonaro: a enfadonha e nojenta ladainha de Márcio Bittar no horário eleitoral

A propaganda eleitoral deveria servir para algo elementar: dizer ao eleitor por que alguém merece o seu voto.

No caso do senador Márcio Bittar, candidato à reeleição para mais oito anos no Senado, o precioso e já reduzido espaço no rádio e na televisão é transformado num enfadonho, nojento, vergonhoso  e interminável culto ao nome de Jair Bolsonaro.

É Bolsonaro, Bolsonaro e Bolsonaro.

A impressão é que, a cada dez palavras pronunciadas, nove são dedicadas ao ex-presidente.

E o Acre?

E as propostas?

E os próximos oito anos?

É inquietante assistir a uma campanha para o Senado da República desperdiçar a oportunidade de discutir os problemas reais do Estado para apostar quase exclusivamente na exploração eleitoral em torno da popularidade de uma figura carimbada nos anais policiais.

Márcio Bittar não é candidato a cabo eleitoral de Bolsonaro. É candidato a senador pelo Acre.

E quem pretende receber do eleitor mais oito anos de mandato — uma das mais longas procurações concedidas pelo voto popular brasileiro — deveria explicar com absoluta clareza o que pretende fazer com esse tempo.

Qual é o projeto para o Acre?

O que pretende defender para a saúde?

Que propostas apresenta para melhorar a infraestrutura e evitar o isolamento do Estado?

O que fará pela geração de emprego, pelo agronegócio, pelos pequenos produtores, pelos municípios do interior, pela segurança pública e pela população que depende dos serviços públicos?

Que projetos pretende apresentar?

Quais recursos pretende buscar?

Quais compromissos assume para os próximos oito anos?

É disso que deveria tratar uma campanha para o Senado.

Transformar o horário eleitoral numa ladainha de “Bolsonaro, Bolsonaro, Bolsonaro” empobrece brutalmente o debate político. Pior: trata o eleitor como burro, otario, imbecil, idiota, como se ele não precisasse conhecer ideias, projetos ou compromissos, bastando associar um candidato local a uma personalidade nacional para decidir seu voto.

Isso é política reduzida ao nível mais pobre do marketing eleitoral.

E chega a ser constrangedor.

Márcio Bittar é senador da República. Já exerceu mandato de deputado federal. Tem trajetória política suficiente para defender sua candidatura com aquilo que fez, aquilo que pensa e aquilo que pretende fazer. Ou nada dez? Ou….o que pensa só serve pra depositar na latrina?

Não deveria precisar esconder sua própria candidatura atrás de Bolsonaro.

A crítica aqui sequer é a Bolsonaro. O ex-presidente tem seus eleitores, sua história política, seus apoiadores e sua própria dimensão no debate nacional.

A questão é outra: onde está Márcio Bittar dentro da propaganda de Márcio Bittar?

O eleitor acreano merece ouvir mais.

Merece propostas.

Merece compromissos.

Merece saber por que deveria entregar a alguém mais oito anos de mandato.

A propaganda eleitoral existe justamente para oferecer essas respostas, sobretudo porque o tempo disponível no rádio e na televisão é curto e precioso.

Gastá-lo repetindo obsessivamente o nome de Bolsonaro é uma escolha eleitoral que pode até ser calculada, mas intelectualmente apequena a campanha.

O Senado não é fã-clube.

É uma das instituições mais importantes da República.

E quem pede autorização popular para permanecer lá por mais oito anos precisa apresentar muito mais do que um sobrenome repetido diante das câmeras.

Bolsonaro não é proposta de governo. Bolsonaro não é plano de mandato. Bolsonaro não substitui compromisso com o Acre.

Chega de Bolsonaro, Bolsonaro, Bolsonaro.

Agora diga, senador:

o que Márcio Bittar pretende fazer pelo Acre nos próximos oito anos?

Sair da versão mobile