O SERINGAL

Como antecipou O Seringal, Recol Distribuidora, gigante do segmento no AC/RO/MT, encerra atividades e emociona funcionários

Uma mensagem simples, acompanhada por uma fotografia de  funcionários reunidos, começou a se espalhar pelas redes sociai e acabou se transformando no retrato mais humano da crise enfrentada pelo Grupo Recol.

“Hoje encerramos um ciclo marcado por conquistas, alegrias e tristezas“, diz a publicação feita pelos trabalhadores da Distribuidora Recol, empresa considerada durante décadas uma das maiores distribuidoras de medicamentos, materiais de limpeza e higiene da Região Norte.  O supervisor de vendas Marcos Zuza, há décadas na empresa, se encarregou de dar a notícia em sua rede social.

O tom de despedida rapidamente atraiu a atenção de internautas. Muitos lamentaram o encerramento das atividades de uma empresa que fez parte da história econômica do Acre e empregou gerações de trabalhadores. Outros aproveitaram o momento para fazer críticas ao grupo, refletindo diferentes percepções construídas ao longo dos anos, especialmente contra o que entendem ser fruto de má gestão.

Independentemente das opiniões, o anúncio simboliza o fim de um importante capítulo da iniciativa privada acreana.

 

Exclusiva de O SERINGAL

A despedida pública dos funcionários ocorre poucos dias depois de O SERINGAL revelar, com exclusividade (reveja abaixo), que o Grupo Recol entrou em um dos momentos mais delicados de sua história empresarial.

Conforme apurado pela reportagem, o conglomerado controlado pelo empresário Marcelo Moura avalia oficialmente dois caminhos extremos para enfrentar a grave crise financeira: protocolar um pedido de recuperação judicial ou, caso a situação seja considerada irreversível, requerer a falência das empresas.

A primeira negociação em andamento envolveria justamente a Distribuidora Recol Medicamentos, responsável pelo abastecimento de hospitais públicos e clientes privados nos estados do Acre, Rondônia e Mato Grosso. O jornalista Assem Neto havia anunciado que Marcelo Moura comunicou o encerramento das atividades em reunião com os trabalhadores.

Fontes ligadas ao grupo informaram que dezenas de trabalhadores já estariam cumprindo aviso-prévio, enquanto outras reuniões internas deverão ocorrer nas demais empresas da holding para comunicar oficialmente os próximos passos.

Um gigante em dificuldade

Durante décadas, o Grupo Recol consolidou um dos maiores conglomerados empresariais do Acre. Além da distribuidora, a holding reúne concessionárias das marcas Yamaha e Volkswagen, farmácias, empresas de distribuição, empreendimentos comerciais e a TV Gazeta, afiliada da Rede Record no estado, considerada nos bastidores como um dos principais ativos do grupo e que, por essa razão, tende a ser preservada em eventual processo de reestruturação.

A possível descontinuidade das operações representa muito mais do que o fechamento de uma empresa.

Especialistas avaliam que o impacto poderá atingir centenas de empregos diretos e indiretos, fornecedores, transportadoras, prestadores de serviços, instituições financeiras e a própria arrecadação estadual.

Não se tem noticias sobre como ficaram as filiais da Recol em Mato Grosso e Rondônia.

Disputa familiar amplia cenário de incerteza

A crise financeira acontece paralelamente a uma longa disputa judicial envolvendo o patrimônio deixado pelo empresário Roberto Moura, fundador do grupo.

Marcelo Moura enfrenta há anos litígios com outros herdeiros em uma complexa discussão sobre divisão patrimonial, participação societária e controle das empresas.

O processo tramita sob segredo de Justiça e, em diferentes momentos, envolveu acusações de desvio patrimonial e tentativas parciais de acordo entre alguns familiares.

Nos bastidores do meio empresarial, existe a avaliação de que os conflitos sucessórios prolongados contribuíram para aumentar a insegurança administrativa do conglomerado, dificultando decisões estratégicas e agravando uma situação financeira já pressionada pelo elevado endividamento.

O que pode acontecer

Caso a empresa opte pela recuperação judicial, buscará proteção da Justiça para renegociar suas dívidas, reorganizar a operação e tentar preservar empregos e atividades econômicas.

Se, porém, prevalecer a alternativa da falência, a situação muda completamente.

Um administrador judicial assumirá o controle do processo, os bens passarão por avaliação para futura venda e os recursos arrecadados serão utilizados para pagamento dos credores, respeitando a ordem prevista na legislação, na qual os créditos trabalhistas possuem prioridade.

O retrato de um fim

Enquanto o futuro ainda depende da decisão dos controladores, a fotografia compartilhada pelos funcionários da Distribuidora Recol tornou-se o símbolo mais visível da crise.

Não há números, balanços ou processos judiciais capazes de traduzir tão bem o momento vivido quanto a imagem de trabalhadores reunidos para registrar o encerramento de uma trajetória construída ao longo de décadas.

A mensagem de despedida viralizou porque ultrapassa os limites de uma simples publicação corporativa. Ela representa a incerteza de dezenas de famílias, a preocupação de fornecedores e a possibilidade de o Acre assistir ao declínio de um dos mais tradicionais grupos empresariais de sua história.

Se confirmados os desdobramentos revelados por O SERINGAL, o fechamento da Distribuidora Recol poderá ser apenas o primeiro capítulo de uma profunda reestruturação — ou do encerramento definitivo — de um império empresarial que durante décadas figurou entre os principais motores da economia acreana.

https://oseringal.com.br/2026/06/do-topo-ao-precipicio-bilionario-grupo-recol-afunda-em-dividas-estuda-abrir-falencia-e-ameaca-centenas-de-empregos-no-acre/

 

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