A nova condenação imposta pela Justiça Federal aos acreanos Deibson Cabral Nascimento e Rogério da Silva Mendonça não encerra apenas um capítulo da histórica fuga da Penitenciária Federal de Mossoró. Ela traz novamente à tona o passado criminoso da dupla, construída muito antes de se tornarem protagonistas da primeira fuga registrada em uma unidade de segurança máxima do sistema penitenciário federal.
Naturais do Acre, Deibson e Rogério já eram conhecidos das forças de segurança por uma longa ficha criminal marcada por homicídios, tráfico de drogas, porte ilegal de armas e atuação em organização criminosa. Antes mesmo da transferência para o sistema penitenciário federal, ambos figuravam entre os criminosos de maior periculosidade ligados às facções que disputaram o controle do crime organizado no estado.
Foi justamente esse histórico de extrema violência e a influência que exerciam dentro do ambiente carcerário acreano que motivaram a remoção dos dois para uma penitenciária federal, medida destinada aos presos considerados de alta periculosidade e capazes de comandar crimes mesmo atrás das grades.
Nesta quarta-feira, a Justiça Federal do Rio Grande do Norte condenou Deibson a cinco anos de prisão e Rogério a sete anos e seis meses de reclusão na ação penal que investigou a rede de apoio responsável por garantir abrigo, transporte e alimentação durante os 51 dias em que permaneceram foragidos após escaparem da Penitenciária Federal de Mossoró, em fevereiro de 2024.
Também foram condenados Eliezer Bruno P. dos Santos, Ítalo Santos Sena, Juarez Pereira Feitoza e Jeferson Magno Favacho, apontados como integrantes da estrutura logística que deu suporte à dupla, especialmente durante a permanência no estado do Pará.
A juíza federal Madja Moura, da 8ª Vara Federal de Mossoró, deixou claro que a sentença não trata do planejamento da fuga nem da eventual participação de organizações criminosas na operação que permitiu a evasão inédita da penitenciária federal.
Segundo a magistrada, esse processo limita-se aos crimes praticados após a fuga e à atuação da rede de apoio que manteve os dois criminosos escondidos até a recaptura.
Da violência no Acre à fuga histórica
A trajetória de Deibson Cabral e Rogério da Silva representa um dos casos mais emblemáticos da criminalidade organizada originada no Acre. Condenados por crimes violentos e identificados como integrantes de facção criminosa, ambos chegaram ao sistema federal justamente porque eram considerados capazes de influenciar e ordenar ações criminosas de dentro dos presídios estaduais.
Mesmo isolados em uma das unidades de segurança máxima do país, conseguiram protagonizar um episódio sem precedentes: a primeira fuga da história do sistema penitenciário federal brasileiro.
A evasão desencadeou uma caçada nacional que mobilizou centenas de policiais federais, rodoviários federais, agentes penais e policiais civis e militares durante 51 dias. A operação terminou com a recaptura da dupla, mas abriu uma série de investigações sobre possíveis falhas de segurança, facilitação externa e eventual participação de integrantes de organizações criminosas.
A condenação agora proferida representa mais um capítulo judicial dessa história, mas está longe de encerrar todas as investigações. Permanecem em apuração as circunstâncias que permitiram a fuga inédita e os possíveis responsáveis por sua articulação, um episódio que expôs vulnerabilidades no sistema penitenciário federal e recolocou os nomes dos acreanos Deibson Cabral Nascimento e Rogério da Silva Mendonça entre os criminosos mais conhecidos do país.
