O SERINGAL

De vermelho desbotado, Jorge Viana faz campanha solo e tenta se reinventar para sobreviver no Acre bolsonarista

O Jorge Viana de 2026 parece disposto a provar que, para voltar ao Senado, é preciso antes sobreviver politicamente ao mapa eleitoral do Acre. E esse mapa continua majoritariamente bolsonarista, pouco receptivo ao velho figurino do petismo militante e apaixonado que durante décadas acompanhou o ex-governador.

A mudança é visível. O vermelho perdeu espaço. O discurso nacionalizado cedeu lugar a uma narrativa mais regional, quase um “Acre pelo Acre”. Jorge continua sendo Jorge Viana, mas procura falar menos para a militância petista e mais para um eleitor que pode até não votar no PT, mas reconhece nele o ex-governador, o gestor e o político acreano.

Ccarregar o PT como bandeira principal poderia significar começar a campanha com um peso extra nas costas. Jorge parece ter entendido que sua eleição não passará necessariamente pela paixão partidária, mas pela tentativa de reconstruir uma identidade própria, menos dependente de Brasília, de Lula e das velhas palavras de ordem da militância.

O senador que Jorge Viana quer ser em 2026, ao que tudo indica, tenta nascer antes da eleição: menos vermelho, mais acreano; menos militância, mais identidade regional.

A pergunta é se o eleitor aceitará essa nova embalagem — ou se lembrará, na hora do voto, que por baixo do verde-amarelo eleitoral ainda pulsa um dos nomes mais históricos do petismo acreano.

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