Um dos maiores conglomerados empresariais do Acre atravessa o momento mais delicado de sua história. Informações obtidas por fontes ligadas ao setor empresarial indicam que o CEO do Grupo Recol, empresário Marcelo Moura, avalia oficialmente duas alternativas extremas para enfrentar a grave crise financeira que atinge a holding: ingressar com pedido de recuperação judicial ou, em um cenário mais dramático, requerer a decretação de falência do grupo.
A decisão foi comunicada primeiramente aos trabalhadores da Recol Medicamentos, que abastece hospitais públicos no eixo Acre-Rondônia-Mato Grosso seria a mais urgente das negociações em andamento. Ali, dezenas de trabalhadores já estariam em aviso-prévio.
Em seguida, o os controladores do grupo formalizarão a decisão em reuniões com funcionários das demais empresas que compõem o conglomerado. O encontro gerou apreensão por trabalhadores e fornecedores, já que abrirá um difícil processo de diálogo sobre o futuro das operações e, principalmente, sobre o pagamento de verbas rescisórias e indenizações trabalhistas em caso de encerramento de atividades.
O Grupo Recol construiu, ao longo de décadas, uma posição de destaque na economia acreana. O conglomerado reúne concessionárias de veículos e motocicletas, empresas de distribuição, farmácias, empreendimentos de comunicação, além da TV Gazeta, afiliada da Rede Record no Acre – esta última apontada como o coração do grupo e que, por isso, seria preservada neste momento.
A eventual derrocada financeira do grupo teria impactos significativos sobre a economia regional, atingindo diretamente empregos, arrecadação tributária e cadeias de fornecedores que dependem das operações da empresa.
Disputa familiar amplia instabilidade
A crise financeira ocorre paralelamente a uma intensa disputa judicial que se arrasta há anos, envolvendo o patrimônio da família Moura. Marcelo Moura trava uma batalha nos tribunais com herdeiros do pai Roberto Moura (falecido), fundador do grupo.
O conflito envolve irmãos, netos, ex-esposas e outros sucessores do patriarca, em uma complexa discussão sobre participação societária, divisão patrimonial e controle dos ativos empresariais. O pólo ativo do processo, que corre em sigilo judicial, chegou a acusar Marcello por desvio de patrimônio familiar, tendo havido acertos esporádicos entre algumas partes, mas longe de um final feliz para toda a família.
Nos bastidores do setor empresarial, há quem avalie que os litígios familiares contribuíram para aumentar a insegurança jurídica e administrativa em torno dos negócios do conglomerado – com ampla certeza de que, oficialmente, as dívidas tão tão volumosas que o faturamento.
Embora a extensão do impacto dessas disputas sobre a situação financeira das empresas ainda seja objeto de debates, especialistas observam que conflitos sucessórios prolongados costumam dificultar a captação de crédito, afastar investidores e comprometer decisões estratégicas em grupos empresariais familiares.
O que acontece numa recuperação judicial
Caso opte pela recuperação judicial, o Grupo Recol buscará proteção legal para reorganizar suas dívidas e preservar as atividades empresariais.
Após protocolar o pedido na Justiça, a empresa deverá apresentar documentos contábeis e financeiros que demonstrem sua situação econômica. Se o pedido for aceito, as cobranças e execuções contra o grupo ficam suspensas temporariamente, permitindo que a administração elabore um plano de recuperação.
Esse plano normalmente prevê renegociação de dívidas, venda de ativos, reestruturação operacional e definição de novos prazos para pagamento dos credores. Os credores votam o plano em assembleia e, se aprovado e homologado pela Justiça, a empresa passa a cumprir as metas estabelecidas para tentar restabelecer sua capacidade financeira.
O objetivo principal é evitar o fechamento das empresas, preservar empregos e permitir a continuidade das atividades econômicas.
E se houver pedido de falência?
O cenário da falência é mais severo. Nesse caso, a Justiça reconhece que a empresa não possui condições de se recuperar economicamente.
Uma vez decretada a falência, um administrador judicial assume a condução do processo. Os bens do grupo passam a ser levantados, avaliados e posteriormente vendidos para pagamento dos credores.
Os créditos trabalhistas costumam figurar entre os primeiros na ordem de pagamento prevista pela legislação, embora o recebimento dependa da existência de patrimônio suficiente para quitar as obrigações.
As empresas deixam de operar normalmente, contratos podem ser rescindidos e milhares de relações comerciais são encerradas. Fornecedores, instituições financeiras, consumidores e trabalhadores passam a integrar a lista de credores habilitados no processo.
Independentemente do caminho escolhido por Marcelo Moura, a decisão representa um divisor de águas para a história do Grupo Recol. O desfecho da crise poderá marcar tanto uma tentativa de reconstrução empresarial quanto o encerramento de um dos maiores impérios econômicos já constituídos no Acre.
