O SERINGAL

Dois ex-companheiros da médica Elyne Nogueira, incluindo um ex-presidiário, entram no radar da Polícia Civil após execução em Brasiléia

A investigação sobre a execução da médica Elyne de Assis Nogueira, assassinada a tiros em Brasiléia, no Alto Acre, ganhou novos e importantes desdobramentos. Dois ex-companheiros da vítima estão no centro de uma das linhas de apuração da Polícia Civil, segundo informações obtidas com exclusividade pela reportagem de O Seringal junto a duas fontes ligadas à investigação.

Os dois homens teriam sido citados pela própria médica em registros policiais relacionados a ameaças sofridas antes de sua morte. Os boletins de ocorrência estão sob sigilo judicial, o que impede, neste momento, o acesso público ao conteúdo integral das denúncias. medidas protetivas determinadas pela justiça citam eles como cidadãos que estavam proibidos de se aproximar da médica.

Um dos nomes é o advogado Francisco Valadares Neto, procurador do município de Brasiléia, que, segundo informações recebidas pela reportagem, teria tentado tirar a própria vida na manhã desta terça-feira (3), por meio da ingestão de medicamentos. Ele foi encaminhado para atendimento médico de emergência.

O outro homem é um ex-detento que, conforme informações repassadas à reportagem, deixou a unidade prisional de Brasiléia há poucos dias. A Polícia Civil mantém reserva sobre o andamento das diligências, mas, segundo as fontes ouvidas por O Seringal, os dois ex-companheiros deverão ser chamados para prestar esclarecimentos. Até agora, não há confirmação de que qualquer um deles tenha sido formalmente apontado como autor ou mandante do assassinato.

O alerta que não impediu a morte

Outro aspecto que exige esclarecimentos urgentes diz respeito ao sistema de proteção à vítima.

Elyne possuía medida protetiva e acionou o botão do pânico pouco antes de ser executada. Apesar do alerta, o socorro policial não chegou a tempo de impedir o crime.

A circunstância levanta questionamentos sobre o funcionamento do mecanismo de proteção, o horário exato do acionamento, a comunicação às equipes de segurança e o tempo de resposta da polícia.

A médica foi assassinada enquanto estava em um estabelecimento comercial de Brasiléia. A execução, registrada por câmeras de segurança, chocou a população do Alto Acre e ampliou a cobrança por respostas das autoridades.

Investigação sob sigilo e perguntas sem respostas

A Polícia Civil ainda não divulgou oficialmente a motivação do crime, tampouco identificou publicamente o responsável pelos disparos.

A existência de registros anteriores de ameaças, a medida protetiva concedida à vítima e o acionamento do botão do pânico tornam indispensável esclarecer se havia informações suficientes para identificar riscos concretos à integridade da médica e se os protocolos de proteção foram devidamente cumpridos.

A pergunta que permanece é tão grave quanto inevitável: se Elyne havia denunciado ameaças, tinha proteção judicial e acionou um dispositivo de emergência, por que não foi possível impedir sua morte?

A resposta interessa não apenas à família da médica, mas a todas as mulheres que dependem da efetividade das medidas protetivas para permanecer vivas.

Sair da versão mobile