Uma a cada 3 famílias do Estado do Acre se encontram no vermelho financeiramente, sem perspectiva de condições para quitação das dívidas atrasadas, segundo pesquisa de monitoramento econômico do Serviço de Proteção ao Crédito
SERASA. O número representa mais de 33% dos lares do estado e revela uma triste realidade sobre o surgimento de uma nova classe social acreana que agrupa as famílias que já esgotaram reservas, negociaram dívidas e mesmo assim não conseguem quitar empréstimos, cartão de crédito, crediário e contas básicas como luz e água.
A Associação Comercial Acreana aponta três fatores principais para um endividamento tão alto em um Estado que tem somente 884 mil habitantes e desponta, proporcionalmente ao número de habitantes de outras regiões do Brasil, como o primeiro lugar no país com a maior quantidade de endividados.
1°-Juros altos e Inflação de alimentos: O cartão de crédito e o cheque especial seguem entre as dívidas mais citadas. Com a cesta básica pressionada, muita gente usou o crédito rotativo para cobrir o mês.
2°- Desemprego e renda informal: A falta de trabalho formal e a queda na renda de autônomos reduziram a capacidade de pagamento, principalmente no interior do Estado.
3°-Endividamento em cascata: Uma conta atrasada gera multa e juros. Com o nome sujo, o acesso a crédito barato acaba, e a família migra para empréstimos com juros maiores para “tampar buraco”.
Impacto no mercado
Para o Procon/AC e para entidades de defesa do consumidor, o cenário é de emergência social. Sem conseguir pagar nem o mínimo, famílias cortam gastos com saúde, remédio e alimentação para tentar manter aluguel e energia.
O alto número de “falência total” também trava o comércio local. Com o consumidor inadimplente, as vendas a prazo caem e o lojista sofre para girar estoque.
Especialistas fazem três recomendações aos endividados:
1° Feirão de Negociação: O Procon/AC e o Serasa costumam abrir mutirões com descontos de até 90% para limpar o nome. Ficar atento ao calendário é a saída mais rápida.
2°- Lei do Superendividamento: Permite renegociar todas as dívidas em audiência judicial com plano de pagamento que preserve o mínimo existencial da família.
3°-Corte de gastos não essenciais: Especialistas em finanças orientam listar todas as dívidas, parar de usar cartão e negociar primeiro as de juros mais altos.
A recomendação oficial é: não contratar novo empréstimo para pagar outro. Isso só aumenta a bola de neve.
