Quase três anos depois da morte da enfermeira Géssica Melo de Oliveira, a Justiça decidiu levar ao Tribunal do Júri os dois policiais militares acusados de envolvimento no episódio. Cleonizio Marques Vilas Boas e Gleyson Costa de Souza serão julgados por homicídio qualificado e fraude processual.
A decisão foi proferida pela Vara Criminal de Senador Guiomard e representa uma nova fase de um caso que ganhou forte repercussão no Acre. Ainda cabe recurso, e os dois policiais poderão recorrer em liberdade.
Géssica morreu em dezembro de 2023, depois de furar um bloqueio policial na BR-317. Conforme a acusação, uma perseguição teve início e disparos foram efetuados contra o veículo conduzido pela enfermeira.
Géssica foi atingida pelas costas. O ferimento foi fatal.
Um dos pontos centrais do processo é a prova pericial. Segundo a perícia, o projétil que matou a enfermeira teria sido disparado pelo fuzil que estava em poder do policial Cleonizio Marques Vilas Boas.
O outro acusado, Gleyson Costa de Souza, admitiu ter atirado contra o automóvel durante a ocorrência, mas sustentou que direcionou os disparos ao pneu, na tentativa de obrigar a motorista a parar.
A acusação sustenta que os dois militares atuaram conjuntamente. Caberá agora aos jurados analisar as provas e definir a responsabilidade individual de cada acusado.
Homicídio qualificado
Os policiais foram pronunciados para responder perante o Tribunal do Júri por homicídio qualificado, com duas qualificadoras apontadas pela acusação: motivo torpe e emprego de recurso que teria dificultado a defesa da vítima.
Eles também responderão por fraude processual.
Cleonizio Marques ainda será julgado pela acusação de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.
A decisão de pronúncia não significa condenação. Ela determina que existem elementos suficientes para que as acusações sejam submetidas ao Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes dolosos contra a vida.
Defesas anunciam recurso
A defesa de Cleonizio Marques já informou que pretende recorrer.
O advogado Wellington Silva sustenta que a decisão não estaria de acordo com os depoimentos, documentos e provas periciais produzidos durante o processo.
A tese defensiva é de que os policiais teriam atuado em estrito cumprimento do dever legal, buscando proteger a vida de terceiros durante a ocorrência.
A defesa de Gleyson Costa de Souza também informou que recorrerá da decisão.
Família vê avanço em busca por Justiça
Do outro lado do processo, a família de Géssica recebeu a decisão como um passo importante para que as circunstâncias da morte sejam finalmente analisadas pelo Tribunal do Júri.
O advogado Walisson Reis, que representa os familiares da enfermeira, destacou o impacto irreversível da morte, especialmente sobre os filhos da vítima, privados definitivamente da convivência com a mãe.
A família afirma confiar que o julgamento permitirá uma resposta da Justiça, respeitados o contraditório e a ampla defesa dos acusados.
Enquanto os recursos seguem seu curso, Cleonizio Marques Vilas Boas e Gleyson Costa de Souza permanecem em liberdade.
A data do júri popular ainda não foi definida.
Quase três anos depois do disparo que matou Géssica, o processo se aproxima, assim, de seu momento mais decisivo: o julgamento diante dos jurados que terão a responsabilidade de decidir se os policiais são culpados ou inocentes das acusações apresentadas.
