O SERINGAL

Especial Oseringal: 3 institutos e uma eleição, onde Alan, Mailza, Bocalom, Gladson, Bittar e Jorge se encontram – e onde as pesquisas entram em choque

As pesquisas eleitorais divulgadas ao longo dos últimos doze meses revelam um quadro curioso na disputa pelo Governo do Acre e pelas duas vagas ao Senado. Embora os três principais institutos — Real Time Big Data, Paraná Pesquisas e Delta/TV Gazeta — apontem tendências semelhantes em alguns aspectos, eles divergem profundamente em outros, especialmente quando medem rejeição e a intensidade das disputas.

O resultado é um cenário em que os números precisam ser lidos com cautela. Mais do que perguntar “quem está na frente”, é preciso observar quais movimentos aparecem de forma repetida em diferentes metodologias e quais conclusões dependem exclusivamente de um único levantamento.

Governo: há consenso sobre o líder

A principal convergência entre os institutos é clara: Alan Rick lidera a corrida pelo Palácio Rio Branco.

Desde março, os levantamentos o colocam oscilando entre 38% e 41% das intenções de voto, faixa suficientemente estável para indicar liderança consolidada.

Os números mostram:

Embora existam diferenças metodológicas, nenhum instituto apresenta outro candidato próximo da liderança.


A disputa pelo segundo lugar divide os institutos

É justamente abaixo de Alan Rick que surgem as maiores divergências.

Paraná Pesquisas

Coloca Mailza Assis isoladamente na segunda posição.

Real Time Big Data

Também mantém Mailza como vice-líder, mas em crescimento.

Delta/TV Gazeta

É o único instituto que praticamente empata Mailza e Bocalom.

A diferença entre os dois é de apenas 0,2 ponto percentual, dentro da margem de erro.

Essa é uma diferença importante porque muda completamente a narrativa eleitoral.

Enquanto Paraná e Real Time enxergam Mailza consolidada na segunda posição, a Delta aponta uma disputa aberta entre ela e o prefeito da Capital.


Alan Rick perdeu fôlego?

Aqui aparece um dos pontos mais interessantes.

Durante meses existia divergência.

A Delta sustentava queda.

A Real Time apontava crescimento.

Agora, pela primeira vez, ambas parecem caminhar para a mesma conclusão.

Série Delta

40,36%

↓

39%

↓

38,27%

Série Real Time

39%

↓

38%

Ao mesmo tempo, Mailza cresce:

26%

↓

28%

Ou seja, embora Alan Rick permaneça líder absoluto, os dois institutos registram, na rodada mais recente, um pequeno recuo simultâneo.

É uma convergência nova.


Segundo turno: unanimidade

Nenhum instituto vê dificuldade para Alan Rick em eventual segundo turno.

Contra Mailza

Contra Bocalom

Todos repetem praticamente o mesmo cenário.

Alan aparece entre 54% e 58%, enquanto Bocalom permanece na faixa de 25% a 27%.

Também chama atenção uma simulação exclusiva da Real Time.

Sem Alan Rick na disputa:

Mailza derrota Tião Bocalom por 42% a 28%, embora com cerca de 20% de indecisos, índice elevado que sugere um cenário muito mais aberto.


Rejeição: o maior ponto de conflito

É aqui que os institutos praticamente deixam de conversar entre si.

A discrepância é enorme.

Alan Rick

Delta

6,26%

Paraná

14,7%

Real Time

39%

Uma diferença superior a 30 pontos percentuais.

Esse tipo de variação não pode ser explicado por margem de erro.

Especialistas costumam atribuir diferenças dessa magnitude a fatores metodológicos, como a forma de formular a pergunta, o número de candidatos apresentados ao entrevistado, a possibilidade de múltiplas respostas e o tratamento estatístico dos dados.

Por isso, comparações diretas de rejeição entre institutos exigem cautela.


Senado: muito consenso, mas uma exceção importante

Na disputa pelas duas vagas ao Senado, existe um núcleo de candidatos presente em todos os levantamentos.

Gladson Cameli.

Márcio Bittar.

Jorge Viana.

Mara Rocha.

Petecão.

Todos aparecem entre os mais lembrados.

A divergência está na ordem.

Paraná Pesquisas

É o único levantamento que coloca Jorge Viana numericamente na liderança, com 34,7%, seguido de Gladson (32,6%) e Bittar (29,9%).

Nenhum outro instituto reproduziu esse desenho.

Delta

Mostra Gladson caindo.

21,73%

↓

19,13%

Bittar sobe para 17,99%, formando empate técnico.

Real Time

Segue caminho diferente.

Gladson permanece líder.

25%

contra

20% de Bittar.

Nesse caso, dois institutos observam o mesmo momento eleitoral e chegam a conclusões diferentes.


Sem Gladson, todos concordam

É a maior convergência da disputa ao Senado.

Quando Gladson Cameli é retirado da simulação:

Márcio Bittar assume a liderança em todos os levantamentos.

A discussão passa apenas pela segunda vaga.

Na Delta, Mara Rocha ultrapassa Jorge Viana.

Na Real Time, Jorge permanece à frente de Mara.

Ou seja, existe consenso sobre o primeiro colocado, mas divergência quanto ao segundo.


O avanço de Bocalom

Outro ponto interessante aparece apenas na Delta.

Enquanto Paraná e Real Time mantêm Bocalom relativamente distante da vice-liderança, a Delta registra crescimento contínuo.

O prefeito passa de cerca de 15% para praticamente 19%, aproximando-se de Mailza.

Se essa tendência será confirmada pelos próximos levantamentos, ainda é cedo para afirmar.


O que parece consolidado

Independentemente do instituto utilizado, algumas tendências aparecem de forma recorrente:


O que ainda divide os institutos

As maiores diferenças concentram-se em quatro pontos:


Conclusão

As pesquisas não desenham eleições diferentes, mas enfatizam aspectos distintos da mesma disputa. Quando três institutos, com metodologias independentes, apontam a mesma direção — como a liderança de Alan Rick ao governo ou a ascensão de Márcio Bittar no cenário sem Gladson ao Senado —, essas tendências ganham maior robustez analítica. Por outro lado, quando os resultados divergem de forma significativa, como ocorre na rejeição dos candidatos, na distância entre Mailza Assis e Tião Bocalom ou na liderança de Jorge Viana em apenas um levantamento, a interpretação deve ser feita com prudência.

Mais do que tomar um único levantamento como fotografia definitiva da corrida eleitoral, o comparativo entre séries revela que a eleição permanece dinâmica. Os próximos levantamentos serão decisivos para confirmar se os movimentos mais recentes — como o leve recuo de Alan Rick e o avanço de Mailza apontados simultaneamente por Delta e Real Time Big Data — representam uma mudança consistente de tendência ou apenas oscilações naturais dentro da margem de erro.

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