O SERINGAL

Fim da escala 6×1 chega ao Senado nesta 4ª e coloca Flávio Bolsonaro e aliados diante de votação decisiva para 40 milhões de trabalhadores

A próxima quarta-feira, 14 de outubro, promete concentrar as atenções de milhões de trabalhadores brasileiros no Senado Federal. Está prevista para a data a votação, em primeiro turno, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que pretende acabar com a escala de trabalho 6×1, reduzindo a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e garantindo dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial.

A votação também coloca em evidência o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) e os parlamentares alinhados à sua candidatura, em plena campanha para o segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro. O grupo é severamente criticado Brasil afora, com mais intensidade nas redes sociais, por defender “liberdade” do trabalhador para negociar salários de acordo com horas trabalhadas.

Reportagens da Folha de S.Paulo e da CNN Brasil apontam que integrantes da oposição, incluindo parlamentares do PL, PP e Republicanos, articulam alternativas para adiar a votação até depois das eleições. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, argumenta que uma mudança dessa dimensão não deveria ser votada em meio à disputa eleitoral.

A dimensão social da proposta é expressiva. Segundo estimativa mencionada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, quase 40 milhões de brasileiros poderão ser beneficiados pela mudança. Para esses trabalhadores, a discussão envolve tempo de convivência familiar, descanso, saúde e condições de trabalho.

No campo eleitoral, a tramitação da PEC passou a integrar o confronto entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro. Enquanto governistas defendem a votação antes do segundo turno, integrantes da oposição questionam o momento escolhido. A repercussão eleitoral dependerá das posições efetivamente assumidas pelos parlamentares e da avaliação dos eleitores.

Para ser aprovada, a emenda constitucional precisará de pelo menos 49 votos favoráveis dos 81 senadores, em cada um dos dois turnos de votação. Portanto, mesmo uma aprovação nesta quarta-feira não encerrará a tramitação.

O que estará em jogo no plenário é uma decisão concreta sobre a jornada de trabalho no Brasil. O posicionamento dos senadores, os eventuais pedidos de adiamento e o resultado nominal da votação permitirão aos trabalhadores conhecer como cada representante atuou numa das principais discussões trabalhistas de 2026.

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