O SERINGAL

Frente a frente com o juiz: envolvidos na rebelião em presídio de segurança máxima do Acre serão ouvidos

A Justiça do Acre marcou para o próximo dia 31 a audiência de instrução e julgamento de seis acusados de participar da rebelião mais sangrenta da história do sistema penitenciário estadual. O motim, ocorrido em julho de 2023 no Presídio de Segurança Máxima Antônio Amaro Alves, em Rio Branco, terminou com cinco detentos brutalmente assassinados — três deles decapitados.

A audiência será conduzida pela 2ª Vara do Tribunal do Júri e Auditoria Militar, no Fórum Criminal de Rio Branco. Serão interrogados Railan Silva dos Santos e Selmir Almeida de Melo, apontados pelas investigações como líderes da rebelião, além de Cleber da Silva Borges, José Ribamar Alves de Souza Filho, Deibson Cabral Nascimento e Rogério da Silva Mendonça.

Deibson e Rogério ganharam repercussão nacional ao protagonizarem, posteriormente, a primeira fuga registrada em uma penitenciária federal de segurança máxima, em Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Os seis réus respondem pelos cinco homicídios, pelo sequestro e constrangimento ilegal de um policial penal mantido como refém, por tentativas de homicídio contra integrantes do Grupo Especial de Operações em Escolta (GEPOE) e por organização criminosa.

Antes dos interrogatórios, a Justiça ouvirá as vítimas das tentativas de homicídio, do sequestro e do constrangimento ilegal, além das testemunhas apresentadas pela acusação e pelas defesas.

Audiência será por videoconferência

Os acusados estão custodiados em três penitenciárias federais de segurança máxima, entre elas as unidades de Catanduvas, no Paraná, e Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Em razão da distância e do elevado risco envolvido no deslocamento dos presos, os interrogatórios serão realizados por videoconferência.

Quase 24 horas de terror

A rebelião começou na manhã de 26 de julho de 2023. Segundo as investigações, os detentos conseguiram abrir as celas, dominar presos responsáveis pela distribuição de alimentos e fazer um policial penal refém.

Em seguida, os rebelados invadiram o depósito de armas e assumiram o controle de praticamente toda a unidade. O grupo avançou sobre pavilhões ocupados por integrantes de facções rivais e teria exigido que os detentos passassem a integrar o Comando Vermelho.

Quem se recusou a obedecer à imposição foi executado.

As vítimas foram Marcos da Cunha Lindoso, conhecido como “Dragão”; Francisco das Chagas Oliveira da Silva, o “Ozim”; Lucas de Freitas Murici, o “Poloco”; David Lourenço da Silva, o “Mendigo”; e Ricardinho Vitorino da Silva, chamado de “Anjo da Morte”.

Três das cinco vítimas foram decapitadas. A sucessão de mortes, mutilações, ameaças e confrontos transformou o Antônio Amaro no cenário do episódio mais brutal já registrado dentro de uma prisão acreana.

O motim somente foi encerrado quase 24 horas depois, após a entrada das forças de segurança no complexo penitenciário.

Líderes já receberam outra condenação

Railan Silva dos Santos, conhecido como “General”, e Selmir Almeida de Melo já foram condenados, juntamente com outros seis detentos, a 12 anos e 10 meses de prisão para cada um.

Essa condenação ocorreu em outro processo, relacionado à participação em organização criminosa armada durante a rebelião.

A nova etapa judicial tratará especificamente das cinco execuções e dos demais crimes praticados durante as quase 24 horas de terror no presídio de segurança máxima.

Observação: o material fornecido informa cinco mortos, mas especifica que três foram decapitados. Por isso, mantive essa distinção no texto.

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