O SERINGAL

Fumaça toma a pista, ameaça motoristas e a saúde pública e expõe falhas na fiscalização no Acre

A BR-364 virou um corredor de risco em meio às queimadas que se espalham pelo Acre. Em diferentes trechos, principalmente no caminho entre Rio Branco e o Vale do Juruá, motoristas estão encontrando fogo às margens da rodovia e verdadeiras cortinas de fumaça sobre a pista.

O problema deixou de ser apenas ambiental. É também uma grave questão de segurança pública e rodoviária.

Somente na tarde desta terça-feira (1º), uma equipe de reportagem contabilizou oito pontos de queimadas entre Rio Branco e Sena Madureira. Levantamento por imagens de satélite apontou 78 focos nas proximidades da BR-364 até o Vale do Juruá, além de incêndios espalhados por outras regiões rurais do estado.

Em alguns pontos, a fumaça encobre praticamente toda a rodovia.

O motorista entra repentinamente numa nuvem espessa e passa a enxergar poucos metros à frente. Nessas condições, aumenta consideravelmente o risco de colisões traseiras, saídas de pista, atropelamentos e acidentes envolvendo caminhões, carros e motocicletas.

Há situações ainda mais preocupantes: as chamas chegam muito perto do acostamento, e o calor pode ser sentido por quem passa dentro dos veículos.

PROIBIÇÃO EXISTE. MAS QUEM ESTÁ FISCALIZANDO?

A multiplicação das queimadas levanta uma pergunta inevitável: onde está a fiscalização?

O Acre atravessa justamente o período mais delicado da estiagem, quando a vegetação seca facilita a propagação rápida das chamas. Mesmo diante de medidas governamentais restringindo o uso do fogo, os focos continuam surgindo.

Se há proibição, ela precisa sair do papel.

Não basta publicar decretos enquanto propriedades rurais continuam utilizando fogo, de maneira irregular, para limpeza de áreas e enquanto incêndios avançam até as margens de uma rodovia federal.

É necessário fiscalizar, identificar responsáveis e aplicar as penalidades previstas na legislação quando houver irregularidades.

O Prevfogo, ligado ao Ibama, possui equipes especializadas no enfrentamento aos incêndios florestais, mas a dimensão territorial do Acre e a quantidade simultânea de ocorrências tornam o combate ainda mais difícil.

É justamente por isso que prevenção e fiscalização precisam funcionar antes que o incêndio esteja instalado.

NÃO É APENAS MATO QUE ESTÁ QUEIMANDO

Existe ainda uma perigosa normalização das queimadas durante o verão amazônico.

Todo ano o fogo aparece. Todo ano a fumaça invade cidades e rodovias. E todo ano surgem alertas quando a situação já alcançou níveis preocupantes.

Mas, na BR-364, essa rotina pode custar vidas.

Uma cortina de fumaça atravessando a pista não distingue caminhoneiro, motorista de aplicativo, família viajando para o interior, motociclista ou ambulância transportando paciente.

Bastam segundos de visibilidade praticamente zero para provocar uma tragédia.

Por isso, órgãos ambientais, autoridades rodoviárias, forças de segurança e governos precisam atuar de maneira integrada, sobretudo nos pontos onde o fogo ameaça diretamente a circulação de veículos.

MOTORISTA, NÃO DESAFIE A FUMAÇA

Quem encontrar queimadas durante a viagem deve reduzir a velocidade gradualmente, manter distância segura do veículo da frente, utilizar faróis baixos e evitar ultrapassagens.

Também é perigoso parar repentinamente sobre a pista ou permanecer no acostamento em áreas completamente tomadas pela fumaça.

O momento exige prudência.

Mas exige também resposta do poder público.

Porque decreto sem fiscalização não apaga incêndio. E esperar uma tragédia acontecer para depois discutir providências é uma irresponsabilidade que o Acre não pode aceitar.

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