O Acre perde nesta terça-feira, 11, aos 70 anos, um dos nomes que ajudaram a pensar e transformar o Estado nas últimas décadas. Morreu, em São Paulo, o engenheiro e consultor Gilberto Siqueira, ex-secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico nos governos de Jorge Viana e Binho Marques. Ele enfrentava um quadro grave de diabetes, que se agravou nas últimas semanas, com necessidade de internação e intubação. A morte foi confirmada pela irmã, Stela Siqueira, que acompanhou seus últimos momentos.
Mais do que um secretário de Estado, Gilberto Siqueira deixa uma marca profunda na história recente do Acre. Foi um dos principais formuladores e articuladores de projetos que mudaram a paisagem urbana de Rio Branco e ajudaram a consolidar uma concepção de desenvolvimento baseada em planejamento, infraestrutura, urbanização e preservação ambiental.
Entre as obras mais emblemáticas associadas à sua atuação estão os parques da Maternidade e do Tucumã, projetos de grande dimensão para a época e que se transformaram em referências da capital acreana. A expansão da arborização urbana e a criação de espaços públicos que aproximavam a população da cidade e do meio ambiente também carregam a marca de sua visão de planejamento.
Gilberto tinha uma característica rara na administração pública: conhecia profundamente os caminhos por onde circulavam os grandes projetos e, sobretudo, sabia abrir portas.
Foi interlocutor extremamente habilidoso dos governos do Acre junto a instituições como o BNDES, Banco Mundial, ministérios e organismos de financiamento e cooperação. Sua capacidade técnica e sua habilidade de negociação fizeram dele uma espécie de ponte entre o Acre e as instituições que poderiam financiar ou viabilizar grandes projetos.
Não por acaso, seu conhecimento e sua experiência ultrapassaram as fronteiras do Estado.
Gilberto Siqueira foi escolhido para integrar a equipe de transição do governo Luiz Inácio Lula da Silva e, posteriormente, colocou sua experiência a serviço de outros estados da Amazônia, atuando como consultor para governos de Rondônia, Amapá e Roraima.
Era, portanto, um homem de Estado no sentido mais amplo da expressão. Um técnico que transitava com desenvoltura entre a engenharia, o planejamento, a administração pública e a política institucional, sem perder a capacidade de transformar projetos no papel em obras concretas.
Para muitos dos que trabalharam ao seu lado, Gilberto era também o homem que conhecia os detalhes, os números, os caminhos burocráticos e, principalmente, as pessoas certas para fazer uma ideia avançar.
Sua passagem pelo Planejamento dos governos petistas do Acre coincidiu com um período de grandes investimentos públicos e profundas transformações urbanas. Foi um dos personagens responsáveis por estruturar projetos que deixaram marcas físicas na capital e ajudaram a construir uma determinada visão de futuro para o Estado.
A morte encerra uma trajetória profissional marcada pelo serviço público, mas não apaga o que foi construído.
Os parques, as árvores, as avenidas, os projetos estruturantes e os investimentos que ajudou a viabilizar permanecerão como testemunhos silenciosos de sua passagem.
Gilberto Siqueira parte deixando uma herança que não cabe apenas nos arquivos da administração pública. Seu legado está espalhado pela cidade, nas obras que ajudou a idealizar, nos projetos que articulou, nas instituições com as quais dialogou e, sobretudo, nas pessoas que aprenderam com sua experiência.
Aos familiares, amigos, companheiros de jornada e antigos colegas de governo, fica a lembrança de um profissional de inteligência incomum, um planejador obstinado e um dos grandes interlocutores que o Acre teve na construção de seus projetos de desenvolvimento.
Hoje, o Acre se despede de Gilberto Siqueira.
Mas algumas despedidas são apenas formais.
Porque homens que ajudam a construir uma cidade permanecem nela.
E Gilberto permanecerá no Acre que ajudou a planejar, arborizar, transformar e sonhar.
