O SERINGAL

IMPÉRIO RECOL CONTINUA DESMORONANDO NO ACRE: após distribuidora e farmácias, guerra entre herdeiros lança incertezas sobre concessionárias de veículos

O que já foi considerado um dos maiores impérios empresariais do Acre vê acelerado o seu período de turbulência. O Grupo Recol, construído pelo empresário Roberto Moura, enfrenta uma prolongada disputa judicial entre herdeiros, acompanhada de notícias sobre o encerramento de operações e o enfraquecimento de negócios que durante décadas simbolizaram prosperidade e poder econômico no estado.

O primeiro grande abalo veio com a crise da Recol Distribuidora. Conforme revelou em primeira mão o portal O Seringal, meses atrás, a empresa interrompeu atividades e promoveu demissões que atingiram trabalhadores em Rio Branco, Porto Velho e Cuiabá. Agora as farmácias vinculadas ao grupo também fecharam suas portas na capital e em municípios do interior.

Os episódios alimentam uma pergunta cada vez mais presente nos bastidores empresariais acreanos: qual será a próxima empresa do Grupo Recol a sucumbir à crise? Qual o impacto desse desastre de gestão na geração nos indicadores do desemprego?

A preocupação alcança especialmente o setor automobilístico. As concessionárias ligadas às marcas Volkswagen e Yamaha, associadas ao conglomerado, passaram a ser mencionadas nas especulações sobre o futuro dos negócios familiares. A reportagem apurou que a TV Gazeta, apontada como o coração do império, “precisa ser salva a qualquer custo”. A emissora, afiliada da Rede Record no Acre, projeta-se sobre o poder público, com os quais tem contratos de publicidade e patina, há anos, com seu jornalismo decadente, de baixíssima audiência.

Herança bilionária transformada em batalha judicial

A contenda envolvendo a fortuna da família Moura não começou ontem. Em março de 2013, uma reportagem publicada pelo jornalista Assem Neto no UOL já revelava uma disputa judicial envolvendo Roberto Moura e seu irmão Clealdon Matos Moura. Na ocasião, Clealdon reivindicava participação em um patrimônio estimado por seus advogados em R$ 1 bilhão, questionando alterações societárias realizadas décadas antes.

Após a morte do patriarca, novas disputas passaram a envolver descendentes e outros integrantes da família.

A dimensão do conflito aparece em documentos judiciais. Em março de 2025, uma publicação do Diário da Justiça do Acre registrou controvérsia envolvendo acordos entre Marcello Moura e Kathiana Moura sobre direitos hereditários e transferência de quotas societárias do Grupo Recol. Os negócios foram questionados judicialmente, com alegações conflitantes entre os envolvidos.

Em julho de 2026, outro processo no Tribunal de Justiça do Acre envolveu, entre os interessados, Marcello Henrique Esteves Moura, outros membros da família, a Recol Participações, a Recol Farma e empresas dos setores de distribuição e veículos. O procedimento tratava de um conflito de competência entre varas cíveis de Rio Branco, evidenciando a complexidade da disputa societária.
Marcello Moura no centro das cobranças

Apontado como uma das figuras centrais da administração do conglomerado, Marcello Moura enfrenta questionamentos sobre os rumos do patrimônio familiar.

Segundo relatos apresentados ao O Seringal, integrantes da própria família atribuem à condução dos negócios parte da deterioração financeira do grupo. Também circulam informações sobre dívidas expressivas, cuja dimensão exata ainda depende de documentação contábil e judicial.

Nos processos que correm sob sigilo judicial, estarrecem as acusações dos herdeiros que compõem o polo ativo das ações contra o controlador do grupo. Moura paga alto a advogados para evitar o vazamento das informações e ameaça jornalistas que expõem o caso.

O episódio ganha repercussão particular pelo histórico do empresário, que já presidiu a Associação Comercial, Industrial, de Serviço e Agrícola do Acre (Acisa), entidade representativa do setor produtivo estadual.

A situação coloca sob escrutínio a administração de um patrimônio que, durante décadas, foi referência de expansão empresarial na região.

Quem será o próximo a fechar as portas?

A sucessão de notícias sobre encerramentos e dificuldades financeiras torna inevitável o debate sobre a preservação dos demais negócios do conglomerado.

Há, porém, uma distinção fundamental: fechamento de estabelecimento, baixa de CNPJ, paralisação operacional e falência judicial não são a mesma coisa. Consultas cadastrais mostram, por exemplo, filiais antigas da Recol Farma baixadas desde abril de 2020, enquanto a matriz da Recol Distribuição e Comércio ainda aparecia formalmente ativa em consulta atualizada em setembro de 2026.

Isso reforça a necessidade de esclarecer a situação efetiva de cada empresa, especialmente das concessionárias, antes de anunciar uma eventual quebra.

O drama ultrapassa os interesses dos herdeiros. Envolve trabalhadores, fornecedores, credores e uma cadeia de negócios que ajudou a movimentar a economia acreana por décadas.

O império erguido por Roberto Moura enfrenta agora seu maior desafio: sobreviver às disputas de seus sucessores e preservar as empresas que ainda permanecem em operação.

A pergunta que fica é incômoda: quanto do patrimônio construído pelo patriarca ainda poderá ser preservado quando terminar a guerra entre os herdeiros?

O Seringal considera indispensável ouvir Marcello Moura e os representantes das empresas citadas sobre as dívidas, os encerramentos relatados, a situação das concessionárias e as acusações familiares. As informações sobre o fechamento de todas as farmácias e o número de demissões também aguardam explicações.

 

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