A tentativa de atribuir à governadora Mailza Assis qualquer tipo de resistência à eventual indicação da ex-deputada federal Jéssica Sales para compor uma aliança política com o MDB não encontra respaldo nos fatos nem na realidade das conversas que vêm sendo mantidas entre as lideranças partidárias.
Durante reunião ocorrida neste domingo entre representantes do governo e integrantes da cúpula do MDB, assessores de primeiro escalão da governadora foram categóricos ao afirmar que Mailza não possui absolutamente nenhuma restrição, seja de ordem pessoal, institucional ou política, relacionada à orientação sexual de Jéssica Sales. Ao contrário, a ex-parlamentar é vista pela governadora como uma liderança respeitada, de trajetória consolidada, boa reputação pública e enorme potencial para contribuir com o futuro do Acre.
As informações que circulam nos bastidores sugerindo a existência de um suposto veto por parte da governadora ou de integrantes do governo à participação de Jéssica na chapa majoritária não passam de especulações sem fundamento. Da mesma forma, é falsa a narrativa segundo a qual pastores ou lideranças evangélicas que apoiam o projeto político de Mailza teriam se reunido para impor qualquer restrição ao nome da ex-deputada.
O chefe de gabinete Madson Cameli, o dirigente partidário e assessor Pedro Valério e o pastor Reginaldo, reunidos com a cúpula emedebista, lembram que nenhuma liderança religiosa aliada se colocaria na condição de questionar ou tentar impor limites às decisões políticas de Mailza Assis. A palavra final sobre a formação de alianças, composição de chapa e estratégias eleitorais pertence à governadora e às instâncias partidárias responsáveis pelas negociações.
Além disso, a própria trajetória administrativa de Mailza desmonta qualquer tentativa de associá-la a preconceitos ou discriminações. Desde os tempos em que exerceu o mandato de vice-governadora e à frente da Assistência Social do Estado, Mailza sempre apoiou políticas públicas voltadas à inclusão, ao respeito às diferenças e à promoção da cidadania para todos os acreanos, inclusive para a comunidade LGBTQIA+.
“O governo estadual conta hoje, como sempre contou, com servidores efetivos, cargos comissionados, assessores e profissionais das mais diversas áreas que possuem diferentes orientações sexuais e identidades, sem que isso jamais tenha sido fator de distinção para ocupação de funções ou reconhecimento profissional”, disse Madson Cameli.
Para pedro Valério, “o critério predominante sempre foi a capacidade técnica, a dedicação ao serviço público e o compromisso com a população”.
Dentro desse contexto, Jéssica Sales é reconhecida como um dos nomes qualificados do MDB e, naturalmente, figura entre as possibilidades consideradas nas discussões sobre alianças futuras. Isso não significa exclusividade. Outros quadros políticos de peso, como o ex-prefeito de Rio Branco, também são vistos como importantes ativos para o fortalecimento de uma ampla frente política.
No que diz respeito à relação entre o MDB e o governo, o entendimento é de que o espaço da legenda na futura composição administrativa e política já é uma questão pacificada. As conversas avançaram significativamente e restam apenas ajustes pontuais para definir a ocupação de determinados espaços e consolidar uma parceria que, para ambos os lados, é considerada estratégica para a governabilidade e para o desenvolvimento do Acre.
Transformar a orientação sexual de qualquer liderança em elemento central de uma negociação política não apenas distorce os fatos, como ignora uma realidade evidente: o debate que interessa ao Acre é sobre competência, compromisso público, capacidade de gestão e construção de consensos. Nesse aspecto, tanto Mailza Assis quanto Jéssica Sales possuem credenciais suficientes para serem avaliadas pela sociedade exclusivamente por suas trajetórias e contribuições ao Estado.
