A possível aliança entre MDB e Republicanos para a disputa do Governo do Acre ganhou um novo capítulo nesta semana com uma declaração que pode redesenhar os rumos da sucessão estadual. Segundo informação divulgada em primeira mão pelo jornalista Rogério Venceslau, na coluna O Jogo do Poder, e posteriormente repercutida pelo jornalista Tião Maia, do Portal Aquiri, o ex-prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre, teria afirmado que permanecerá ao lado da governadora Mailza Assis mesmo que seu partido decida formalmente apoiar a candidatura do senador Alan Rick ao Palácio Rio Branco.
A declaração é interpretada no meio político como um dos sinais mais evidentes de que o MDB atravessa uma das maiores crises internas de sua história recente. Caso a legenda confirme a aliança com Alan Rick, o partido corre o risco de se dividir entre aqueles que acompanharão a decisão institucional e os que optarão por permanecer na base governista.
Marcus Alexandre é hoje um dos nomes mais competitivos do MDB no Acre, especialmente na capital Rio Branco, cotado inclusive para ser o mais votado nas eleições proporcionais de outubro.
Sua decisão de permanecer ao lado de Mailza não representaria apenas um gesto individual, mas poderia arrastar consigo uma parcela significativa do capital político emedebista, especialmente o grupo ligado ao legado do ex-governador, ex-prefeito de Rio Branco, ex-deputado federal e ex-senador Flaviano Melo.
Nesse contexto, ganha relevância o nome de Leonardo Melo, filho mais velho de Flaviano. Nos bastidores, a avaliação é de que Leonardo também não acompanharia uma eventual aliança do MDB com Alan Rick, permanecendo alinhado ao projeto político liderado por Mailza Assis. Caso esse cenário se confirme, a governadora garantiria o apoio de duas importantes referências históricas do MDB acreano: Marcus Alexandre e o espólio político de Flaviano Melo, uma das maiores lideranças da história do partido no estado.
Enquanto isso, do outro lado das negociações, crescem os sinais de aproximação entre Republicanos e a família Sales. Embora os termos do acordo ainda não tenham sido oficialmente divulgados, a ex-deputada federal Jéssica Sales já aparece como nome fortemente cotado para compor a chapa de Alan Rick na condição de candidata a vice-governadora. A movimentação reforça a influência do grupo comandado pelo ex-prefeito de Cruzeiro do Sul e presidente estadual do MDB, Vagner Sales, que está longe de ser unanimidade internamente.
A eventual adesão do MDB ao projeto republicano não ocorre sem riscos políticos. Lideranças da legenda avaliam que a composição pode comprometer a sobrevivência eleitoral de importantes quadros do partido, especialmente na disputa pela Assembleia Legislativa.
Os cálculos internos apontam que o MDB teria dificuldades para eleger mais do que três deputados estaduais. Nesse cenário, nomes com maior densidade eleitoral, como Marcus Alexandre, Pedro Longo, Ney Amorim e Luiz Gonzaga, aparecem entre os mais competitivos da legenda. Todos, porém, possuem interlocução direta com o governo estadual e tendem a permanecer próximos de Mailza Assis.
A consequência prática desse quadro seria um forte risco para a reeleição da deputada estadual Antônia Sales, matriarca da família Sales e uma das mais tradicionais lideranças políticas do Vale do Juruá. Com a concorrência interna ampliada e a redução do espaço eleitoral da legenda, sua permanência na Assembleia Legislativa passaria a depender de uma equação cada vez mais complexa.
A declaração de Marcus Alexandre, portanto, vai além de uma simples escolha de lado. Ela escancara a existência de dois MDBs distintos: um liderado pela família Sales, que negocia uma aproximação com Alan Rick, e outro formado por lideranças que enxergam maior viabilidade política na manutenção da aliança com Mailza Assis. À medida que as convenções partidárias se aproximam, a tendência é que a disputa interna deixe os bastidores e se transforme em um dos principais capítulos da corrida pelo Governo do Acre em 2026.
