O Acre definiu neste domingo (4) os oito deputados federais que representarão o estado na Câmara dos Deputados a partir de 2027. A nova bancada será formada por Socorro Neri, Coronel Ulysses, Fábio Rueda, Pedro Longo, Roberto Duarte, Zé Adriano, Perpétua Almeida e Júnior Betão.
O resultado traz uma particularidade do sistema proporcional brasileiro: estar entre os oito candidatos mais votados individualmente não significa necessariamente conquistar uma das oito cadeiras. É a votação obtida pelos partidos e federações, combinada com as regras do quociente eleitoral e da distribuição das sobras, que determina quantas vagas cada grupo político conquista. Um castigo que jamais esquecerão, por exemplo, o ex-deputado estadual Ney Amorim, que obteve 22. 775 votos; Minoru Kinpara, que recebeu 20.499 votos) e Zezinho Barbary, com 20.902 votos) Esses três, embora mais votados, estão fora.
É justamente aí que aparecem os casos de Perpétua Almeida (PCdoB) e Júnior Betão (PL). Ambos terminaram atrás, em votação nominal, de candidatos como Ney Amorim, Minoru Kinpara, Manoel Gerônimo e Zezinho Barbary, mas foram beneficiados pelo desempenho coletivo de suas respectivas legendas. Perpétua foi eleita com 15.800 votos; Betão entrou entre os 8 com 13.732 votos.
Perpétua Almeida foi beneficiada pela chamada última sobra. A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, somou votação suficiente para entrar na disputa dessa cadeira. Durante a totalização, a federação rondava a faixa dos 40 mil votos, atingindo o patamar necessário para participar da distribuição das sobras e colocando Perpétua, sua candidata mais votada, dentro da Câmara.
Situação semelhante ocorreu com Júnior Betão. O PL alcançou votação suficiente para conquistar uma cadeira, resultado construído não apenas pelos votos dados a Betão, mas pelo conjunto da chapa. Entraram nessa conta votos de nomes como João Paulo Bittar, Cacilda Barbosa, Jesus Sérgio e Lindemberg da Citolab, além dos demais candidatos e votos de legenda do partido. Betão, como o mais votado da chapa liberal, ficou com a vaga. A relação oficial de candidaturas confirma todos esses nomes na nominata do PL.
Assim, candidatos com votação individual superior ficaram de fora. É a matemática característica das eleições proporcionais: o eleitor vota no candidato, mas esse voto também alimenta a força eleitoral do partido ou da federação.
No topo da disputa ficou Socorro Neri, reeleita e campeã de votos para a Câmara Federal no Acre. Também conquistaram mandato Fábio Rueda, Coronel Ulysses, Roberto Duarte, Pedro Longo e Zé Adriano, completando com Perpétua Almeida e Júnior Betão as oito cadeiras acreanas em Brasília.
O resultado deixa uma imagem emblemática das urnas deste domingo: Perpétua e Betão não precisaram estar entre os oito campeões de votos para serem eleitos. A força das chapas e a matemática do sistema proporcional fizeram a diferença — e deixaram candidatos mais votados do lado de fora.
