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Mensagens sobre quarto com cinco mulheres em festa de Vorcaro citam “Kassio” e levantam questionamentos sobre presidente bolsonarista do TSE

Uma reportagem publicada nesta terça-feira (13) pela jornalista Daniela Lima, do UOL, trouxe novos detalhes de mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Os diálogos relatam que um quarto teria sido disponibilizado para um ministro acompanhado de cinco mulheres durante uma festa realizada em 28 de fevereiro de 2025, em um triplex do empresário, em São Paulo.

Segundo a reportagem, a festa reuniu aproximadamente 15 convidados. A organização teria incluído contratação de chef, recolhimento dos celulares das convidadas e despesas de R$ 62,3 mil.

Em outra mensagem, datada de 7 de março, uma intermediária identificada como Rayanna cobrou R$ 10 mil e mencionou uma mulher que teria ficado com alguém chamado “Kassio”. A referência despertou questionamentos sobre uma possível ligação com o ministro Kassio Nunes Marques, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Há, porém, uma distinção fundamental: as mensagens existem, mas não está comprovado que o “Kassio” mencionado seja Nunes Marques, nem que o magistrado tenha participado do episódio descrito. Até a publicação da reportagem, sua assessoria não havia apresentado manifestação específica sobre essas mensagens.

O episódio ganha dimensão institucional porque o nome do presidente do TSE também aparece em outros questionamentos relacionados ao entorno do Banco Master. Nesta terça-feira, deputados federais do PT solicitaram ao Supremo Tribunal Federal a abertura de investigação sobre possíveis vínculos entre o ministro e o grupo empresarial de Vorcaro. Nunes Marques nega envolvimento direto com o ex-banqueiro, recebimento de valores e influência indevida.

As novas revelações surgem justamente quando a atuação do presidente do TSE é objeto de divergências no âmbito da Justiça Eleitoral. Decisões envolvendo o canal de WhatsApp “Exército do Lula” provocaram questionamentos jurídicos, inclusive sobre os fundamentos apresentados para sua suspensão. Nunes Marques sustenta que suas determinações procuram assegurar o cumprimento das regras eleitorais.

A questão que se coloca não é a fiscalização da vida íntima de um magistrado, mas a necessidade de esclarecer eventuais benefícios particulares oferecidos por empresários com interesses perante o Poder Judiciário.

Quem era o ministro mencionado nas mensagens? Quem custeou os encontros? Houve alguma vantagem indevida ou relação capaz de comprometer a independência judicial?

São perguntas que exigem apuração documental, respeito ao contraditório e respostas verificáveis. A simples menção de um nome em conversas privadas não comprova participação em irregularidades.

A credibilidade da Justiça Eleitoral depende tanto da imparcialidade de suas decisões quanto da transparência na apuração de suspeitas que envolvam seus integrantes.

Fonte:
Reportagem de Daniela Lima, UOL, 13 de outubro de 2026

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