O SERINGAL

“Meu grande amigo”: aliado e articulador de Flávio Bolsonaro, deputado eleito é preso pela PF em operação sobre lavagem de R$ 7,6 bilhões

Márcio Canella, deputado estadual eleito pelo União Brasil e ex-prefeito de Belford Roxo, foi preso nesta quinta-feira (15) na Operação Unha e Carne 8, deflagrada pela Polícia Federal (PF). O delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil, também foi preso.

As prisões desta quinta foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e são um desdobramento da 6ª etapa da Unha e Carne, realizada em julho.

A relação política entre o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) e Márcio Canella ganhou destaque após uma prisão anterior também  pela Polícia Federal, em 7 de julho de 2026, após agentes federais encontrarem um fuzil calibre 5,56 em seu veículo. A operação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), investigava suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo uma rede de postos de combustíveis. Segundo relatório do Coaf, as movimentações financeiras investigadas ultrapassariam R$ 7,6 bilhões em seis anos

A proximidade entre Canella e Flávio Bolsonaro não se restringia a encontros políticos. Em abril, o presidenciável declarou publicamente seu apoio integral à pré-candidatura do ex-prefeito ao Senado, referindo-se a ele como “meu grande  amigo”. O vínculo também alcançou a própria família Bolsonaro: Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, havia sido indicada para ocupar a primeira suplência na chapa de Canella

A prisão colocou sob atenção pública as alianças construídas pelo presidenciável no Rio de Janeiro, especialmente diante das investigações envolvendo integrantes de seu círculo político.

O caso, entretanto, teve uma reviravolta judicial importante. Em 10 de julho, Moraes concedeu liberdade provisória a Canella. No dia 24, o ministro revogou as medidas cautelares e determinou a retirada da tornozeleira eletrônica, considerando que os elementos apresentados não permitiam concluir pela ocorrência do crime de porte ilegal de arma de fogo

A investigação sobre o suposto esquema de lavagem de dinheiro é distinta da questão envolvendo o armamento. Também não há, nas fontes consultadas, comprovação de participação de Flávio Bolsonaro nos crimes investigados.

O episódio evidencia a dimensão da aliança política entre Flávio e Canella e coloca em discussão os critérios de escolha dos aliados que integram os palanques eleitorais.

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