O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Acre, Ney Amorim (MDB), ainda alimenta a esperança de transformar os 22.775 votos que recebeu nas eleições de domingo (4) em uma cadeira na Câmara dos Deputados. Para isso, depende de uma reviravolta jurídica envolvendo a missionária Antônia Lúcia, sua companheira de partido, que disputou a reeleição com o registro de candidatura indeferido.
Antônia Lúcia recebeu 6.127 votos, atualmente classificados como anulados sub judice. A expectativa nos bastidores é que esses votos possam ser validados e incorporados à votação do MDB no cálculo proporcional. Não seriam transferidos diretamente para Ney, mas poderiam alterar a distribuição das oito cadeiras federais do Acre.
A missão, entretanto, está longe de ser simples. O Tribunal Regional Eleitoral do Acre indeferiu o registro da missionária por unanimidade, em setembro. Para que seus votos sejam aproveitados, será necessária uma decisão judicial favorável à candidatura. Não basta simplesmente pedir uma nova contagem.
O alvo político dessa esperança tem nome: Perpétua Almeida (PCdoB). A ex-deputada conquistou uma das oito vagas com 15.800 votos, graças ao desempenho da federação formada por PT, PCdoB e PV e às regras de distribuição das sobras eleitorais. Ney recebeu 6.975 votos a mais que Perpétua, mas ficou na suplência.
Nos cálculos alimentados pelos bastidores emedebistas, a eventual validação dos votos de Antônia Lúcia poderia abrir caminho para uma revisão da distribuição das cadeiras. Isso, porém, não significa que a vaga de Perpétua passaria automaticamente para Amorim. Seria indispensável refazer o cálculo eleitoral completo, considerando os votos válidos e as regras aplicáveis às sobras.
O ex-presidente da Aleac, portanto, vive uma situação curiosa: teve votação expressiva, superou candidatos eleitos e, mesmo assim, depende agora de uma decisão da Justiça Eleitoral para tentar modificar o resultado das urnas.
Por enquanto, Ney Amorim tem 22.775 votos, uma suplência e uma esperança jurídica. Para chegar a Brasília, precisa que a Justiça mude uma peça do tabuleiro eleitoral. Nos bastidores, já há quem chame essa possibilidade de milagre.
