O vídeo publicado pelo empresário da construção civil Jarbas Soster não pode ser reduzido a mais uma troca de insultos nas redes sociais. Por trás das palavras duras e das acusações que ainda precisam ser comprovadas, existe um alerta dirigido ao prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, sobre a condução de contratos públicos dentro da Secretaria Municipal de Infraestrutura.
E todo alerta envolvendo licitações, concorrência entre empresas e aplicação do dinheiro do contribuinte precisa ser tratado com seriedade. O prefeito, com aprovação popular histórica para quem está no cargo a tão pouco tempo, tem combatido tudo que possa ameaçar seu perfil de gestor sereno, focado em políticas públicas de interesse da coletividade. E precisa continuar assim.
Soster questiona atitudes do secretário Cid Ferreira e afirma que empresas capazes de executar serviços por preços competitivos estariam sendo retiradas da disputa. A denúncia é grave. Justamente por isso, não deve ser aceita como verdade sem provas, mas também não pode ser descartada com ofensas, ameaças de processos ou ataques pessoais.
Quando uma autoridade pública é questionada sobre a lisura de uma concorrência, a resposta esperada não é chamar o denunciante de “idiota” ou “Zé ruela”. A sociedade espera documentos, atas, pareceres técnicos, decisões administrativas e a exposição objetiva dos critérios utilizados para habilitar ou desclassificar cada empresa.
Quem administra recursos públicos deve satisfação ao público.
O secretário Cid Ferreira tem pleno direito de defender sua honra e recorrer à Justiça se considerar que foi caluniado ou difamado. Isso, porém, não substitui o dever institucional de esclarecer a condução dos processos administrativos colocados sob suspeita. A judicialização do conflito pessoal não responde às perguntas de interesse coletivo.
O ponto central, portanto, não é saber quem venceu a discussão nas redes sociais. O que importa é esclarecer se a concorrência mencionada por Soster respeitou integralmente a lei, garantiu igualdade de condições aos participantes e buscou a proposta mais vantajosa para a população de Rio Branco. O empresário, por sua vez, está no seu direito, como cidadão também, de vir a pública a fazer o referido alerta.
A responsabilidade maior agora recai sobre Alysson Bestene.
Como prefeito, ele não pode ignorar um alerta público dessa gravidade nem permitir que o episódio seja tratado apenas como briga entre um empresário e um secretário. Alysson precisa determinar uma apuração técnica, acompanhar pessoalmente o processo questionado e tornar públicos os documentos necessários para afastar qualquer dúvida.
Se os procedimentos estiverem corretos, a transparência protegerá a gestão, o secretário e os servidores envolvidos. Se houver falhas, direcionamento, exclusões injustificadas ou qualquer prejuízo ao interesse público, caberá ao prefeito agir imediatamente, corrigir os atos e encaminhar os fatos aos órgãos competentes.
A Controladoria-Geral do Município, a Procuradoria-Geral, a Câmara de Vereadores e, se necessário, o Ministério Público e o Tribunal de Contas devem ter acesso a todos os elementos do processo. Não como antecipação de culpa, mas como garantia de controle, legalidade e respeito ao dinheiro público.
Mas o comportamento do denunciante não autoriza a administração municipal a fugir das explicações. A transparência não é favor, tampouco instrumento usado apenas quando convém. É uma obrigação permanente de quem ocupa cargo público e decide como serão gastos milhões de reais arrecadados dos cidadãos.
O alerta foi feito. Agora, Alysson Bestene deve escolher entre deixar a suspeita crescer ou abrir completamente os processos da Seinfra ao escrutínio público.
A melhor resposta não será um novo vídeo, outra ofensa ou mais uma ameaça judicial. Será a publicação dos documentos, a apresentação dos critérios técnicos e a comprovação de que cada centavo foi destinado ao interesse da população.
Quem não deve não precisa gritar. Precisa mostrar.
