A reta final da eleição no Acre ganhou um ingrediente explosivo nas últimas horas. Informações apuradas pela reportagem de O Seringal apontam para ações da Polícia Federal nas últimas horas envolvendo dois candidatos e uma movimentação financeira que estaria sob investigação.
Na quinta-feira (1º), agentes teriam realizado uma ação na residência de um candidato de elevado poder econômico que disputa uma cadeira de deputado federal. Segundo informações obtidas pela reportagem, teriam sido apreendidos dinheiro, outros valores ainda não oficialmente detalhados e aparelhos celulares.
Já na madrugada desta sexta-feira (2), o foco teria chegado a um candidato a deputado estadual que, segundo fontes ouvidas por O Seringal, mantém vínculos próximos com integrantes da própria Polícia Federal.
O ponto mais delicado do bastidor está na possível ligação entre as duas situações.
A informação apurada por O Seringal é de que aproximadamente R$ 1 milhão apreendidos há cerca de duas semanas em Rio Branco seriam destinados justamente a um terceiro candidato a deputado estadual envolvido
E haveria mais dinheiro a caminho.
Segundo as mesmas fontes, outros R$ 500 mil estariam previstos para serem repassados nesta sexta-feira (2) ao candidato estadual. O dinheiro teria origem justamente no candidato a deputado federal cuja residência foi alvo da ação policial no dia anterior.
A proximidade da eleição acrescenta um componente jurídico importante ao caso. Neste período, a legislação eleitoral estabelece proteção especial contra a prisão de candidatos, admitindo a prisão somente em situação de flagrante delito.
Isso, entretanto, não significa que uma busca, uma apreensão de dinheiro ou mesmo uma investigação representem automaticamente flagrante de compra de votos.
Para a configuração de captação ilícita de sufrágio, conhecida como compra de votos, é necessária a existência de elementos que relacionem a oferta ou entrega de dinheiro, bem ou vantagem ao eleitor à finalidade de obtenção do voto.
Por isso, O Seringal trata como informação de bastidor aquilo que ainda não foi oficialmente confirmado pelas autoridades., muito embora a PF já tenha decidido que não falará sobre o assunto.
O que chama atenção é a sequência dos acontecimentos: uma apreensão milionária ocorrida semanas atrás, a informação sobre um possível novo repasse de R$ 500 mil e ações policiais atingindo personagens que, segundo as fontes da reportagem, estariam ligados à mesma movimentação financeira.
A menos de 48 horas da votação, o caso coloca a movimentação de dinheiro na reta final da campanha acreana no centro das atenções.
