O SERINGAL

Preconceito contra Marina e Simone Tebet desperta memória dolorosa de Emylson Farias

A repugnante manifestação de preconceito regional sofrida por Marina Silva, acreana, e Simone Tebet durante um debate televisivo ultrapassou os limites de uma disputa eleitoral.

Ao tratar estados brasileiros como terras “muito piores” e sugerir que São Paulo seria responsável por “sustentar” o restante do país, um candidato adversário expôs uma visão intolerante e depreciativa sobre milhões de brasileiros.

Neste sábado, o delegado de Polícia Emylson Farias transforma o episódio em uma crônica profundamente pessoal. Sente-se a indignação no aprazível texto, mas explanado com a sutileza peculiar de Emylson (Veja abaixo).

Emylson Farias escreve: O intruso na garagem

 

Em “O intruso na garagem”, ele volta aos tempos de estudante em Ribeirão Preto, quando também sentiu na pele a hostilidade dirigida a quem vinha do Norte.

Uma discussão aparentemente banal por uma vaga de garagem terminou numa frase que atravessou décadas: “Você é um bastardo! Você não tem direito a nada aqui.”

O episódio vivido no passado encontra, agora, um perturbador paralelo no discurso ouvido pela televisão.

Emylson escreve sobre preconceito, arrogância regional, pertencimento e as feridas provocadas por quem imagina existir um Brasil superior a outro.

E lembra que a riqueza de São Paulo não está separada do restante do país: integra uma economia construída pelo trabalho, pelo consumo e pela contribuição de brasileiros de todas as regiões.

Não é um ataque ao povo paulista, como o próprio autor ressalta.

É uma resposta à intolerância e à ideia de que brasileiros possam ser classificados pela região onde nasceram.

Da garagem de Ribeirão Preto ao estúdio de televisão, a crônica mostra que algumas formas de preconceito apenas trocaram de cenário.

E que a resposta que faltou ao jovem acreano décadas atrás hoje aparece na voz madura de quem se recusa a aceitar qualquer tentativa de diminuir sua terra e sua gente

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