A levantadora Dani Lins, campeã olímpica e atleta do Sesi Vôlei Bauru, trouxe à tona, mais uma vez, a persistência de um preconceito estrutural e geográfico que insiste em marginalizar a Região Norte do Brasil. Ao gravar um vídeo em uma van, cercada por assessores, imediatamente postado na rede social da atleta, seguida por milhares de cidadãos, ela ironiza uma viagem ao Acre, onde, neste sábado, participa de uma partida amistosa pela reinauguração do Ginásio do Sesi, na capital acreana, convidada pela Federação da Indústria do Acre (Fieac).
Com comentários sobre a necessidade de “passaporte”, “vacinas em dia” e “arco e flecha”, a jogadora se diverte. Não apenas destilou xenofobia, mas também validou o suposto humor que se alimenta do apagamento cultural e da desumanização dos povos originários e das populações nortistas.
O comentário de Dani Lins e de sua turma, apoiados por ela, não é um fato isolado, mas o sintoma de uma mentalidade colonialista que ainda impera em parte das regiões Sul e Sudeste do país. Tratar o Acre como um “outro mundo” isolado, exótico ou perigoso — onde seriam necessários passaportes ou armamentos rudimentares para autodefesa — demonstra um desconhecimento profundo sobre a própria geopolítica e história do Brasil. O Acre é um estado federativo com identidade rica, economia ativa e importância ecológica e cultural imensurável. Reduzi-lo a piadas de cunho etnocêntrico é uma tentativa de inferiorizar o que foge do eixo sudestino.
PURA IGNORÂNCIA E DEFICIÊNCIA CULTURAL.
2. A Postura de uma Figura Pública e o Efeito de Manada
Como atleta de alto rendimento e ex-jogadora da Seleção Brasileira, Dani Lins carrega uma responsabilidade social intrínseca. O esporte, historicamente ferramenta de inclusão e união de povos, é severamente arranhado quando uma de suas grandes representantes endossa o preconceito regional. O agravante do vídeo reside na cumplicidade do entorno: as risadas dos assessores expõem o chamado “efeito de manada”, onde o preconceito é normalizado e validado pelo grupo, transformando a discriminação em entretenimento de mau gosto.
3. A Visão Utilitarista e a Falta de Empatia
Em outro trecho do registro, a menção em tom de cobrança sobre “exigir tudo a que tem direito”, como “mimos, brindes e farofa”, escancara uma postura utilitarista. Revela-se aí a contradição de quem despreza a região, mas não hesita em usufruir da hospitalidade e dos recursos locais. O Acre, conhecido historicamente pela acolhida calorosa de seu povo, é colocado na posição de mero provedor de vantagens para quem o ridiculariza.
Conclusão Episódios como este reforçam a urgência de um debate sério sobre a xenofobia interna no Brasil. O “humor” que humilha, desrespeita e perpetua a ignorância geográfica e social não pode mais ser mascarado como “brincadeira inocente”. Figuras públicas, clubes e federações precisam compreender que o respeito à diversidade regional do país não é opcional, mas o mínimo esperado em uma sociedade democrátic
A partida será entre SESI Vôlei Bauru (SP) e o SESI-AC. Todos os convites para o evento já foram esgotados. A programação será transmitida pelo YouTube da FIEAC:
