Indiciado pela Polícia Federal na Delegacia de Combate à Corrupção e Crimes Financeiros, Roxinho carrega um histórico recente de investigações que corrói a credibilidade das agendas públicas em que toca. Mensagens e áudios que constam no inquérito policial apontam para graves indícios de irregularidades na coordenação das feiras agropecuárias do Acre no Vale do Juruá e em Rio Branco. Os relatos de um policial militar, que integram a apuração sigilosa, mencionam a gestão do evento como uma verdadeira “mina de ouro” — uma metáfora sugestiva para desvios de recursos públicos, favorecimentos e pagamento de propina.
As recentes reuniões de alinhamento para a Expoacre Juruá 2026, ocorridas no próprio escritório do governo em Cruzeiro do Sul, impõe o perfil humanitário e sem máculas que a governadora Mailza Assis busca consolidar em sua gestão. Tolerar uma figura sob o peso de tais acusações no núcleo estratégico do agronegócio estadual, especialmente na antevéspera de um período eleitoral decisivo, é um risco político desnecessário e um aceno negativo para a sociedade acreana.
O histórico do diretor já é marcado por idas e vindas que fragilizam a imagem do Executivo. Leva a fama de “leva e trás”, valendo-se do privilegiado ciclo de amizades (conhecido como amigo pessoal do ex-governador) a que frequenta, sem justificar, sob a ótica profissional, o generoso salário e as benesses que o poder lhe garantiu – e, sabe-se lá, o tornou um comissionado milionário.
Nomeado em agosto de 2023 pelo governador Gladson Cameli, Roxinho foi alvo de recomendação expressa do Ministério Público do Acre (MP-AC) para sua exoneração, sob o argumento técnico de que não preenchia os requisitos mínimos para o cargo, como formação superior ou experiência comprovada em gestão pública. Essa resistência em afastar quem não atende aos critérios legais e éticos apenas alimenta a percepção de que interesses políticos se sobrepõem à moralidade administrativa.
O governo do Acre não pode se dar ao luxo da inércia. Enquanto a reportagem e a opinião pública aguardam os desdobramentos do inquérito, a quantidade de testemunhas e o parecer do Ministério Público Federal, cabe à chefe do Executivo adotar medidas moralizadoras imediatas. A blindagem da imagem da governadora e a transparência com o dinheiro público exigem o afastamento preventivo de quem está sob a lupa da Polícia Federal. Insistir na proximidade com o erro é assumir a cumplicidade com o desgaste.
