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QUEDA OU AGRESSÃO? Versão dos pais não convence a polícia após morte de menino de 3 anos no interior do Acre

A morte do pequeno Davi Lucas Santos Maia, de apenas três anos, abriu uma investigação cercada de dúvidas em Porto Acre. O que inicialmente foi apresentado como consequência de uma suposta queda de uma escada passou a ser tratado pelas autoridades como um caso que exige apuração mais profunda diante da suspeita de possíveis maus-tratos.

A mãe da criança, Ana Clara dos Santos, de 18 anos, e o padrasto, Tácio Gomes dos Santos, de 23, foram presos pela Polícia Militar na noite de terça-feira (8). Ambos foram inicialmente autuados por maus-tratos.

O ponto central da investigação agora é descobrir o que realmente aconteceu com Davi antes de sua morte.

Segundo as informações preliminares repassadas à polícia, a criança apresentava sinais considerados compatíveis com possíveis agressões ou maus-tratos. Diante desse cenário, a explicação dada pelo casal passou a ser confrontada com os vestígios encontrados no corpo e com as demais circunstâncias do caso.

A versão da queda

Nos primeiros relatos, mãe e padrasto afirmaram que Davi teria caído de uma escada.

A versão, porém, não teria sido suficiente para afastar as suspeitas dos policiais que atenderam a ocorrência. O casal acabou conduzido para a Delegacia de Flagrantes, em Rio Branco.

A investigação deverá buscar uma resposta fundamental: as lesões encontradas na criança são compatíveis com uma queda acidental ou indicam algum tipo de violência?

Essa resposta dependerá principalmente dos exames periciais e médico-legais. Também será necessário estabelecer a causa exata da morte, a natureza e eventual antiguidade das lesões, além de verificar se existem elementos que indiquem episódios anteriores de violência.

Investigação pode mudar enquadramento

Embora mãe e padrasto tenham sido inicialmente autuados por maus-tratos, o enquadramento jurídico ainda poderá mudar conforme o avanço do inquérito.

A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte e deverá apurar, inclusive, se houve alguma conduta intencional que possa levar o caso para uma investigação por homicídio. Neste momento, porém, essa possibilidade permanece no campo investigativo e depende da produção de provas.

O inquérito ficará sob responsabilidade do delegado Carlos Baima, que deverá ouvir testemunhas, confrontar os depoimentos apresentados pelo casal e reunir laudos e outros elementos capazes de reconstruir as últimas horas de vida de Davi Lucas.

Também deverá ser apurado quem estava com a criança no período anterior à morte e se familiares, vizinhos ou outras pessoas perceberam anteriormente sinais de violência ou comportamento que possa ajudar a esclarecer o caso.

Laudo pode ser decisivo

A perícia deverá ocupar posição central na investigação.

É o exame técnico que poderá indicar se as lesões observadas são compatíveis com a dinâmica da queda relatada pelos investigados ou se apresentam características diferentes. A cronologia dos ferimentos também poderá ajudar a polícia a determinar quando eles foram produzidos.

Mãe e padrasto permanecem presos e devem passar por audiência de custódia nesta quarta-feira (9). A Justiça analisará a legalidade das prisões e decidirá se os dois permanecerão ou não sob custódia enquanto o caso é investigado.

Até a conclusão dos laudos e das diligências policiais, Ana Clara e Tácio são investigados e devem ser tratados como inocentes até eventual condenação definitiva.

Enquanto isso, a morte de uma criança de apenas três anos deixa uma pergunta que agora cabe à Polícia Civil responder: Davi Lucas morreu realmente em consequência de um acidente ou existe uma história de violência por trás da versão apresentada à polícia?

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