O SERINGAL

Sem protagonismo e sem propostas: improdutivo no Senado, Bittar recorre ao discurso de ódio para tentar sobreviver politicamente

Toda campanha eleitoral representa uma oportunidade para que o candidato apresente um balanço de sua atuação e, principalmente, um projeto consistente para o futuro. É o momento de prestar contas, reconhecer desafios e convencer o eleitor por meio de ideias, propostas e resultados. Quando isso não acontece, resta apenas o discurso.

É justamente essa impressão que marca a campanha do senador Marcio Bittar em sua tentativa de reeleição. Em vez de colocar em debate soluções objetivas para temas que afligem o país — crescimento econômico, geração de empregos, saúde, segurança pública, infraestrutura e desenvolvimento regional — o parlamentar parece optar por uma estratégia centrada na polarização política, reciclando ataques ao PT, ao Supremo Tribunal Federal e à esquerda brasileira como principal eixo de sua comunicação.

Naturalmente, críticas a adversários fazem parte da democracia. O problema surge quando elas passam a ocupar praticamente todo o espaço reservado às propostas. O eleitor espera saber o que um candidato pretende fazer nos próximos oito anos, não apenas contra quem ele pretende lutar.

A aposta quase exclusiva na proximidade com a família Bolsonaro reforça essa percepção. O capital político de alianças nacionais pode ser um ativo eleitoral, mas dificilmente substitui um mandato que fale por si. Nenhum senador é reeleito apenas por fotografias ao lado de lideranças nacionais; a renovação da confiança popular costuma depender daquilo que entregou ao estado que representa. E o quê Bittar nos entregou?

Também pesa sobre a candidatura o debate acerca da efetividade de seu mandato. Críticos apontam baixa produtividade legislativa, reduzida participação em comissões e ausência de projetos de grande repercussão nacional que tenham marcado sua passagem pelo Senado. Essas avaliações fazem parte do escrutínio natural imposto a qualquer parlamentar que busca permanecer no cargo e devem ser confrontadas com dados objetivos sobre sua atuação.

Outro aspecto frequentemente mencionado por adversários e analistas políticos diz respeito à articulação institucional. Há quem sustente que o senador teve pouca ou nenhuma presença junto aos ministérios e aos órgãos federais para defender interesses permanentes do Acre, limitando sua atuação, em muitos momentos, à destinação de emendas parlamentares, sua obrigação.

Seus apoiadores, por outro lado, destacam justamente essas emendas como demonstração de resultados concretos para os municípios acreanos. É só isso que o eleitor tem a saber sobre Bittar?

Nem mesmo ações de forte apelo político produziram o impacto esperado. A visita do deputado Nikolas Ferreira ao Acre, apresentada como uma iniciativa para discutir o fortalecimento da Amazônia, acabou gerando críticas e ironias entre parte da opinião pública, sobretudo pela percepção de que a agenda priorizou simbolismos e embates ideológicos em detrimento de discussões práticas sobre os desafios da região. A imagem do senador piorou quando ele pôs, à tiracolo, o próprio filho, em cenas montadas a fim de capitalizà-lo como candidato a deputado federal. O projeto de poder familiar ficou evidente. Vergonhoso!

A política brasileira atravessa um momento em que slogans e antagonismos parecem disputar espaço com a capacidade de formular políticas públicas. Mas o eleitor amadureceu. Depois de sucessivas crises econômicas, institucionais e sociais, a população quer respostas concretas, não apenas palavras de ordem repetidas em palanques e redes sociais.

Quem pretende renovar um mandato no Senado precisa demonstrar mais do que fidelidade ideológica ou alinhamento com lideranças nacionais. Precisa convencer que continuará sendo útil ao estado que representa, produzindo leis relevantes, articulando investimentos, construindo consensos e defendendo interesses coletivos.

O Acre necessita de representantes que discutam logística, integração regional, saúde, educação, segurança de fronteira, desenvolvimento sustentável e geração de oportunidades. São temas que exigem preparo, diálogo e capacidade de articulação — atributos que não podem ser substituídos por discursos inflamados ou pela repetição de inimigos políticos.

Ao final, permanece uma constatação simples: o eleitor espera muito mais do que narrativas desgastadas. Espera resultados, propostas viáveis e compromisso efetivo com os problemas reais da população. Em uma democracia madura, é isso — e não a repetição de velhos embates ideológicos — que deve definir o futuro de um mandato.

Sair da versão mobile