A poucos meses do encerramento do mandato da atual administração da Universidade Federal do Acre (UFAC), uma nota conjunta divulgada pelo Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação do Terceiro Grau do Acre (SINTEST) e pela Associação dos Docentes da UFAC (ADUFAC) lança duras críticas à reitoria e levanta suspeitas de que medidas adotadas às pressas estariam sendo utilizadas para preservar interesses políticos do grupo que deixa o comando da instituição.
No documento, as entidades manifestam repúdio ao que classificam como uma tentativa de transformar a estrutura administrativa da universidade em instrumento de manutenção de influência política após a derrota eleitoral sofrida pela atual gestão. Para os sindicatos, a criação de uma corregedoria por ato “ad referendum”, sem amplo debate nos órgãos colegiados e às vésperas da posse da nova administração, extrapola o campo da mera reorganização institucional e passa a ser vista como uma manobra com potencial para interferir nos rumos da próxima gestão.
As entidades questionam por que a corregedoria, considerada necessária e recomendada pelos órgãos de controle, não foi criada durante os últimos anos de mandato, quando a gestão possuía tempo e condições para promover um amplo debate institucional. A adoção da medida somente após a derrota nas urnas da comunidade universitária alimenta suspeitas de que o objetivo não seria fortalecer a governança, mas preservar espaços de influência e criar obstáculos à futura administração.
O documento também cita um caso que amplia as desconfianças. De acordo com a manifestação, um processo administrativo que envolveria um professor identificado como aliado político da reitoria estaria aguardando decisão desde novembro de 2025, apesar da existência de recomendação para abertura de procedimento disciplinar. Para os sindicatos, o episódio evidencia a possibilidade de tratamento seletivo de investigações dentro da universidade.
Na avaliação das entidades, o contraste entre a demora na apreciação de processos envolvendo pessoas ligadas ao grupo político da gestão e a pressa para criar uma estrutura com poderes sobre futuras apurações reforça a percepção de uso estratégico da máquina administrativa. A nota afirma que a universidade corre o risco de assistir à institucionalização de mecanismos destinados não à proteção da UFAC, mas à proteção de interesses circunstanciais.
O texto é ainda mais contundente ao afirmar que uma corregedoria criada sem debate amplo, no apagar das luzes de um mandato derrotado eleitoralmente, pode nascer sob a sombra da desconfiança. Para SINTEST e ADUFAC, a estrutura não pode servir para vigiar adversários, acomodar aliados ou sustar investigações que atinjam membros da atual administração.
As entidades defendem que qualquer mudança estrutural dessa natureza seja discutida com participação da gestão eleita para o quadriênio 2026-2030 e submetida aos órgãos colegiados da universidade. Segundo os sindicatos, somente um processo transparente, republicano e democrático poderá afastar as suspeitas de aparelhamento e garantir que a corregedoria atue em defesa da instituição, e não de grupos políticos.
Ao final, SINTEST e ADUFAC afirmam que permanecerão vigilantes durante o processo de transição e prometem denunciar qualquer iniciativa que represente, segundo suas palavras, tentativa de blindagem de aliados, captura institucional ou esvaziamento da vontade democrática expressa pela comunidade universitária nas urnas.
