Início / Versão completa
Manchete

Acre “perde” cadeira de deputado para Pernambuco e dá passaporte diplomático a forasteiro

Por REDAÇÃO 16/12/2023 04:36

Até o pico da campanha eleitoral de 2022, o cardiologista Fábio Rueda “comparecia” ao Estado do Acre sazonalmente. O pernambucano era aguardado em datas pré-estabelecidas para realizar procedimentos cardíacos em ambientes hospitalares privados e públicos, mediante demanda – fruto de convênios legais. Viu brecha na carreira política e, atraído com a parceria do amigo pessoal e também médico Eduardo Velloso, aventurou-se na candidatura de deputado federal. O oftalmologista derramou milhões na, provavelmente, campanha mais cara por estas bandas, com efeito financeiro outorgado pelo irmão, curiosamente o número 2 do União Brasil nacional, que também determina quanto e a quem devia ser destinado a título de fundo partidário.

Velloso levou a melhor nas urnas, também às custas de programas assistencialistas voltados a pacientes pobres, e virou titular de uma das 8 vagas do Acre na Câmara Federal. Aquele que cuida do coração alheio precisou de contentar com a suplência, e teve que refletir muito sobre o abuso de poder econômico evidente àquela época. Buscou cooptar dirigentes do UB no interior, trazendo para si um apoio que, acreditava ele, lhe elegeria autoridade federal. O fracasso passou, não sem antes receber o consolo do amigo “oculista”. O acordo entre ambos foi sacramentado nesta quinta-feira (14), quando, enfim, ascendeu Rueda ascendeu á vaga após afastamento de Velloso, temporariamente, diga-se.

Rueda será deputado até 15 de março – não havendo até lá agendas oficiais do Congresso Nacional, que entre em recesso agora. Terá todos os benefícios e prerrogativas do cargo, incluindo o passaporte diplomático, estendido á esposa e filhos. Embora o documento tenha por finalidade a utilização para representação oficial do país no exterior, garantindo algumas condições diferenciais relativas à segurança e agilidade no embarque, não é esse o principal uso dado pelos parlamentares.

O documento diplomático concede alguns benefícios a seus portadores, como fila especial para embarque, dispensa de visto em alguns países e gratuidade na emissão. A emissão a parentes é legal e regulamentada pelo MRE. O Itamaraty informa, porém, que, em caso de viagens de férias a outro país, o passaporte diplomático não concederá “privilégios e imunidades”.

Recomendado
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.