Início / Versão completa
Economia

Juros altos impõem cautela com o cartão de crédito. Saiba como usá-lo

Por Metropoles 20/02/2025 00:21

Em meio à alta da taxa básica de juros do país, a Selic, surge a preocupação com o uso de cartões de crédito e financiamentos em geral. Isso porque os bancos e instituições financeiras utilizam a taxa Selic como base para definir os juros cobrados.

A seguir, o Metrópoles explica quais os impactos provocados pela alta dos juros nas operações feitas com cartões de crédito e apresenta hábitos de uso consciente dos cartões para evitar endividamento e inadimplência.

No momento, o Brasil tem taxa Selic de 13,25% ao ano e o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) adiantou uma nova alta de pelo menos 1 ponto percentual na próxima reunião, realizada nos dias 18 e 19 de março.

Ao elevar a Selic para conter a inflação, a consequência esperada é a redução do consumo e dos investimentos no país. O crédito fica mais caro, e a atividade econômica tende a desaquecer, provocando queda de preços para os consumidores e produtores.


Entenda a situação dos juros no Brasil


Como a Selic influencia os juros dos cartões

Para ilustrar de forma simplificada, os bancos olham a taxa Selic como base para realizar cálculos de suas respectivas taxas de juros, aplicadas em diferentes modalidades de empréstimos (cheque especial, financiamento e cartão de crédito).

Assim, com a Selic em um patamar mais elevado, as taxas dos cartões de crédito tendem a aumentar. No entanto, o crescimento não necessariamente ocorre na mesma proporção, destaca o economista Igor Lucena, CEO da Amero Consulting.

6 imagens

1 de 6

Rotativo do cartão de crédito é vilão e gera inadimplência, dizem especialistas

Getty Images

2 de 6

Michael Melo/Metrópoles

3 de 6

Cartões de crédito

Joe Raedle/Getty Images

4 de 6

Rotativo do cartão de crédito

Getty Images

5 de 6

Getty Images

6 de 6

iStock

Segundo Lucena, além da Selic, a camada das taxas de juros do cartão de crédito leva em consideração: a inadimplência, margens de lucro dos operadores e outros fatores relacionados à não recuperação de crédito.

Levantamento do Banco Central sobre taxa de juros no Brasil mostra que a menor taxa anual cobrada pelos bancos no cartão de crédito é de 67%, enquanto a maior é de 995%. Mas, o que isso significa na prática?

Imagine a seguinte situação: você passa R$ 100 no cartão de crédito, mas não consegue pagá-lo no fim do mês e deixa essa dívida acumular. Considerando a menor taxa de juros do rotativo, essa conta passaria de R$ 100 para R$ 167 no fim do ano. Já com a maior taxa de juros, os R$ 100 iniciais chegarão a R$ 1 mil no mesmo período.

A professora de economia Cristina Helena de Mello, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), afirma que os bancos cobram juros menores de empréstimos com garantia de segurança, como compra de imóveis e carros.

Mello ressalta que, como as modalidades do cheque especial e do cartão de crédito não oferecem muitas garantias, o risco fica maior para o banco realizar esses empréstimos e, por isso, “eles cobram juros maiores para o cartão de crédito”.

O uso de cartões de crédito e a inadimplência no Brasil

Em 2024, as compras feitas em cartões de crédito, débito e pré-pagos cresceram 10,9% em relação a 2023. Só no ano passado as transações somaram R$ 4,1 trilhões, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).

No ano passado, as compras com cartão de crédito totalizaram R$ 2,8 trilhões — o equivalente a uma alta de 14,6%. Para 2025, o setor estima um crescimento na faixa entre 9% e 11% (ou movimentação de R$ 4,5 trilhões) no uso de cartões.

É consenso entre os economistas que o uso do cartão de crédito tende a aumentar, mesmo com os juros nas alturas e avanço dos preços de bens e serviços (a inflação). O principal motivo seria conter despesas.

Para a professora da PUC, o número de compras feitas com o cartão de crédito deve aumentar porque as “famílias estão precisando criar estratégias para fazer frente às suas despesas, porque os preços subiram e as suas rendas não acompanharam”.

Mello pondera que as famílias acreditam que o cartão de crédito é “um recurso que facilita a vida” e, por isso, não fazem controle das despesas do mês seguinte. “Elas [as famílias] não olham para taxa de juros e muitas vezes deixam atrasar o cartão de crédito em vez de atrasar outras contas com juros menores”, acrescenta a professora.

Lucena, por sua vez, vê a chance de uma eventual queda no uso dos cartões na aquisição de bens de consumo mais caros, em que a taxa de juros é embutida. No entanto, ele avalia que muitas pessoas continuarão usando o cartão para manter “certos padrões de consumo que não querem perder , recorrendo ao parcelamento”.

O contador Marcello Marin entende que a população pode ficar receosa em usar cartões com a contínua alta dos juros, mas reforça que o “vilão” não é o cartão de crédito, e sim a falta de planejamento para pagar as contas.

Adriano Giacomini, professor de economia da Faculdade ESEG, do Grupo Etapa, aconselha a evitar dívidas com juros no cartão de crédito porque a tendência é que as taxas sigam elevadas.

Como forma de evitar ficar no vermelho, a estudante de direito Raine Tolentino Rocha relatou ao Metrópoles que tem o hábito de não gastar acima da própria renda mensal. Além disso, ela não divide as compras no cartão de crédito em várias parcelas.


Dicas para o uso consciente do cartão de crédito


 


Fonte: Metrópoles

Recomendado
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.