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Dia do Orgulho Autista: especialistas destacam desafio do diagnóstico: “Não é uma limitação”

Por Portal Leo Dias 18/06/2025 07:25

Nesta quarta-feira (18/6), é celebrado o Dia do Orgulho Autista, uma data criada para fortalecer a visibilidade e combater o preconceito. De acordo com dados do Censo 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2,4 milhões de brasileiros declararam ter o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), o que representa 1,2% da população. Apesar disso, muitos ainda passam anos ou até décadas sem saber que fazem parte do espectro.

Para entender por que tantas pessoas só recebem o diagnóstico na vida adulta, o portal LeoDias conversou com especialistas que explicam as características do diagnóstico tardio, seus impactos e os desafios para uma real inclusão.

Veja as fotos

Transtornos do espectro autistaReprodução: Freepik
Transtornos do espectro autistaReprodução: Freepik
Transtornos do espectro autistaReprodução: Freepik
Transtornos do espectro autistaReprodução: Freepik
Autismo – Foto: Reprodução/Freepik
Autismo – Foto: Reprodução/Freepik

Quando o diagnóstico só chega depois dos 30, 40, 50 anos…

O Transtorno do Espectro Autista é mais comum do que se imagina. Segundo o CDC (Centers for Disease Control and Prevention), dos Estados Unidos, 1 em cada 36 crianças está no espectro. No entanto, muitos adultos vivem sem diagnóstico até que algo os faça questionar: um filho autista, a sobrecarga emocional constante ou o acesso a mais informações sobre o tema.

“Muitos adultos só começam a desconfiar quando veem traços nos próprios filhos ou após terem acesso a informações mais amplas sobre o TEA. O diagnóstico tardio pode trazer desafios emocionais, mas também é uma oportunidade de autoconhecimento e acolhimento”, explica o psicólogo Damião Silva, especialista em transtornos do neurodesenvolvimento.

Silva destaca que, em adultos, o autismo pode se manifestar de maneira mais sutil: “São pessoas que podem ter desenvolvido estratégias para ‘mascarar’ suas dificuldades, o que retarda a identificação do transtorno”. Entre os sinais mais comuns estão dificuldade na comunicação social, hiperfoco em interesses específicos, sensibilidade sensorial e dificuldades em manter relacionamentos.

Celebridades também enfrentam o diagnóstico tardio

Casos de pessoas públicas que receberam o diagnóstico na vida adulta também ajudam a trazer luz ao assunto. O ator Anthony Hopkins descobriu estar no espectro aos 70 anos. O rapper Kanye West revelou o diagnóstico após uma nova avaliação médica. A atriz Bella Ramsey, estrela da série The Last of Us, recebeu a confirmação de que é autista enquanto gravava a produção. Já Leticia Sabatella contou, em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, que foi diagnosticada em 2023, aos 52 anos.

Outros nomes como Tallulah Willis, filha de Bruce Willis e Demi Moore, Elon Musk e a ativista Greta Thunberg também fazem parte do espectro e contribuem para ampliar o debate e desconstruir estereótipos.

“Mascarar comportamentos para se encaixar”

A psicóloga e neurocientista Nathalie Gudayol, que atua há mais de 12 anos na interface entre psicologia e neurociência, explica que identificar o TEA em adultos exige atenção redobrada: “O diagnóstico tardio em adultos acontece porque muitos aprendem a adaptar comportamentos para ‘se encaixar’ em ambientes sociais, o que pode gerar um desgaste emocional significativo. O reconhecimento dessas características é fundamental para oferecer suporte adequado e promover o autoconhecimento.”

Segundo ela, esse esforço contínuo para parecer “normal” pode levar ao esgotamento mental e físico. “Não é que essas pessoas não tenham dificuldades, elas apenas aprenderam a escondê-las.”

Quando a inclusão só acontece no papel

Além do diagnóstico, outra barreira que adultos autistas enfrentam é o ambiente profissional, ainda pouco preparado para lidar com a neurodiversidade. O psiquiatra Iago Fernandes, que é autista, tem TDAH e é pós-graduado em TEA, afirma: “Muita gente acha que contratar um autista é inclusão. Mas, se essa pessoa precisa mascarar quem ela é, se está constantemente esgotada por excesso de estímulos ou se vive em silêncio por medo de parecer ‘estranha’, isso é só um novo tipo de exclusão — agora com crachá”.

Para ele, a dificuldade não está na capacidade dos autistas, mas na falta de estrutura e compreensão das organizações. “A situação é agravada por microviolências cotidianas como interrupções constantes, ambientes barulhentos, reuniões improvisadas e a falta de instruções claras. O cérebro autista funciona de forma diferente. A gente precisa de previsibilidade, clareza e respeito aos nossos tempos. Isso não é limitação, é apenas uma forma distinta de perceber o mundo”, completa.


Fonte: Portal LEODIAS

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