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A sonhada ferrovia: governos brasileiro, peruano e chinês incluem o Acre em corredor de exportações ao mercado asiático

Por REDAÇÃO 08/07/2025 08:56

Enfim, começou a sair do papel a tão esperada ferrovia que vai ligar os
oceanos Atlântico e Pacífico, passando pelo Acre até o porto de Chancay, no Peru. Os
governos do Brasil e da China assinaram ontem, (7), uma parceria para permitir a ligação
entre o território brasileiro e o porto de Chancay, no Peru, a fim de facilitar as exportações para a Ásia, especialmente para a China, reduzindo o tempo de transporte e os custos.

O acordo ainda não é para a construção efetiva, mas para os estudos técnicos necessários, o que já é o pontapé inicial da longa jornada que será a implantação da ferrovia, que é vista como prioritária pelo Brasil, China e Peru. O projeto inicial prevê que a ferrovia vai sair da Bahia, passará pelos estados de Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Acre,
até chegar ao Peru. Ainda não há estimativas em relação ao custo da ferrovia, o que será orçado durante os estudos.
Traçado inclui saída pelo Acre a partir de Rio Branco, o projeto ferroviário prevê a construção de um traçado que cruzaria Rondônia, nas proximidades da BR-364, até
chegar a Mato Grosso, onde já está em construção parte da Fico (Ferrovia de Integração Centro-Oeste).
Esta malha, ligada à Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste), cruzaria Goiás e entraria na Bahia, para terminar nas margens do porto Sul de Ilhéus. Ao todo, são aproximadamente 4,5 mil km de ferrovias neste traçado.
O corredor ferroviário é visto como um dos maiores projetos logísticos do mundo,
com potencial de reduzir em até dez dias o tempo de transporte de cargas entre os portos
brasileiros do Atlântico e os mercados asiáticos, via porto de Chancay. Estima-se que cerca de US$ 350 bilhões por ano em exportações brasileiras tenham como destino a China,
dos quais 60% correspondem a minério de ferro e soja.
Do lado brasileiro, o chamado memorando de entendimento foi assinado pela Infra
S.A – empresa, vinculada ao Ministério dos Transportes-, e, pelo lado chinês, foi assinado
pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Econômico China Railway.
A cerimônia ocorreu de maneira virtual. Na sede do ministério, em Brasília, estavam integrantes do governo e da embaixada da China. Os
representantes do instituto chinês participaram por videoconferência.
Projeções do governo do Peru dão conta de que é possível reduzir de 40 para 28
dias o tempo necessário de deslocamento da carga entre
os dois continentes. O porto de Chancay foi financiado
pelo governo chinês e inaugurado em 2024 pelo presidente Xi Jinping.
O porto integra a iniciativa “Cinturão e Rota”, conhecida
como “Nova Rota da Seda”. O governo brasileiro não aderiu
formalmente à iniciativa — que prevê investimentos chineses na área da infraestrutura
em vários países do mundo. Recentemente, líderes de
países da América Latina se encontraram com Xi Jinping
na China para tentar aproximar a região dos investimentos chineses.
O entendimento do governo Lula é que, como a China já
é o principal parceiro comercial do Brasil e já faz volumosos
investimentos no país, não há necessidade de adesão formal à
Nova Rota da Seda. Além disso, Brasil e China integram grupos
multilaterais que permitem a discussão de parceria econômica, a exemplo do Brics.

A Tribuna e G1

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