Início / Versão completa
geral

Caso Benício: entenda diferença entre inalação e injeção de adrenalina

Por CNN 10/12/2025 16:25

Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, morreu após receber uma dose de adrenalina na veia aplicada para tratar sintomas de crise respiratória. O episódio aconteceu na madrugada do dia 23 de novembro, em uma unidade hospitalar de Manaus. 

O uso da adrenalina, medicamento geralmente associado a emergências cardíacas, possui diferenças cruciais de manipulação e indicação, especialmente em casos que envolvem problemas respiratórios. 

Em uma análise sobre os possíveis efeitos do medicamento no corpo, o Dr. Anis Mitri – Cardiologista e Presidente da AHOSP (Associação de Hospitais do Estado de São Paulo) – detalhou as particularidades dos métodos inalatório e injetável. 

Leia Mais

Segundo o especialista, a principal diferença está na forma como a substância alcança o organismo, e o mais importante, na sua potência. 

“A diferença é que na inalação você coloca a adrenalina dentro de um vaporizador, igual você faz na inalação para bronquite e asma, e aí essa adrenalina vai pelas gotículas de ar entrando pelas narinas. Então ela entra pela respiração, ela não entra na corrente sanguínea. A injeção entra na corrente sanguínea — ela pode entrar na corrente sanguínea ou muscular — e aí tem um efeito muito mais potente do que a inalatória,” explica o cardiologista. 

Segundo o especialista, a via inalatória envolve a absorção de “micropartículas de adrenalina que vão entrando pela via respiratória.” Em contrapartida, quando injetada diretamente na corrente sanguínea, “o efeito é imediato e total, bem mais potente.”

O cardiologista ressaltou que as indicações para cada via são distintas, geralmente separando problemas circulatórios de respiratórios: 

“Quando você faz adrenalina inalatória, é para tratar doenças respiratórias, o que era o caso da criança. É para tratar doenças respiratórias como asma, bronquite, pneumonia, pneumonite, doença do bebê chiador, sintomas de insuficiência respiratória, pacientes que já receberam outras medicações chamadas broncodilatadoras — que servem para abrir o pulmão, dilatar o pulmão — e aí não fizeram efeito. Você usa adrenalina inalatória.” Ele adiciona que também é usada para pacientes com “algum problema na glote, que é um orgãozinho do esôfago que fecha a garganta e não deixa a passagem de ar aberta.”

“A injeção de adrenalina você usa basicamente em pacientes que estão em parada cardiorrespiratória, pacientes que pararam o coração. Ela serve para problemas circulatórios e não respiratórios.”

Finalizando, o Dr. Mitri enfatizou a importância da escolha da via correta de administração, especialmente em um contexto de crise respiratória: 

“No caso do menino, o mais indicado seria ter sido feita a via inalatória, porque era um problema respiratório. Então é contraindicado; não havia nenhuma indicação de ser feita a via circulatória, o que foi feito — e aí gerou óbito.” 

Entenda o aumento de casos de síndrome respiratória

Conteúdo interativo removido automaticamente para manter a página AMP válida.

 

 

 

Recomendado
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.