Início / Versão completa
geral

Poinsétia: como a planta sagrada dos astecas se tornou o símbolo do Natal

Por CNN 22/12/2025 20:24

Presente em casas, vitrines e celebrações de fim de ano, a poinsétia costuma ser percebida apenas como um ornamento típico de dezembro. No entanto, sua ligação com o Natal é resultado de um percurso histórico complexo, que envolve religiosidade indígena, apropriação cristã, ciência botânica e transformação econômica.

O artigo científico publicado na Chronica Horticulturae, em 2011, revisa esse percurso e desmonta mitos ao mostrar como a planta se tornou um símbolo cultural duradouro, enraizado em práticas muito anteriores à sua popularização comercial.

Leia Mais

Uma planta cercada de mitos e significados

O estudo descreve a poinsétia como uma planta “envolta em mitos e lendas”, condição que reflete sua presença contínua em contextos simbólicos ao longo da história. Essa aura mítica não é casual: a espécie ocupou papéis religiosos, sociais e estéticos em diferentes culturas.

Os autores reconstroem a trajetória da poinsétia desde sua origem mesoamericana até sua consolidação como a planta envasada mais valiosa do mercado ornamental norte-americano.

Antes do Natal: a poinsétia sagrada dos povos astecas

Muito antes de ser associada ao Natal cristão, a poinsétia já possuía forte significado espiritual para os povos indígenas do México. Segundo o artigo, os nahuas chamavam a planta de cuetlaxochitl, termo ligado a flores ornamentais de valor ritual.

Embora não crescesse naturalmente em Tenochtitlán, capital do império asteca, a planta era transportada em grandes quantidades para a cidade durante o inverno. O estudo relata que a poinsétia era usada em cerimônias religiosas, além de servir como corante têxtil e possuir aplicações medicinais, extraídas de sua seiva leitosa.

Da religiosidade indígena ao Natal cristão

Com a colonização espanhola, houve uma tentativa deliberada de suprimir práticas religiosas indígenas. Ainda assim, registros históricos preservados indicam que a poinsétia continuou sendo utilizada em rituais de inverno, agora reinterpretados à luz do cristianismo.

De acordo com o artigo, missionários cristãos passaram a incorporar a planta às celebrações natalinas, especialmente por seu florescimento no inverno e por sua coloração intensa. Nesse processo, a espécie passou a ser chamada de flor de nochebuena, ou “flor da noite santa”, consolidando sua associação com o Natal no México.

A simbologia do vermelho e o florescimento no inverno

Outro aspecto central abordado pelo estudo é a coincidência entre o ciclo natural da poinsétia e o calendário cristão. A planta floresce naturalmente no inverno do hemisfério.

As brácteas vermelhas, frequentemente confundidas com pétalas, reforçaram essa ligação simbólica. Segundo os autores, a cor vermelha passou a representar festividade, alegria e celebração, contribuindo para que a poinsétia fosse reconhecida como um elemento visual do Natal muito antes da era do consumo de massa.

Joel Roberts Poinsett e os mitos sobre a “descoberta”

O artigo dedica uma seção à revisão crítica da narrativa que atribui a “descoberta” da poinsétia ao diplomata norte-americano Joel Roberts Poinsett. Embora a planta leve seu nome em inglês, os autores esclarecem que Poinsett não foi responsável por descobri-la.

O estudo aponta que espécimes chegaram aos Estados Unidos por meio de redes científicas e botânicas, especialmente na Filadélfia, no final da década de 1820. A associação com Poinsett se consolidou posteriormente como uma homenagem institucional, e não como um registro preciso de autoria botânica.

A ciência por trás da flor do Natal

Um dos avanços científicos mais relevantes relatados no estudo é a compreensão do fotoperíodo da poinsétia. Trata-se de uma planta de dias curtos, cuja floração depende de longos períodos contínuos de escuridão.

A partir do século XX, produtores passaram a controlar artificialmente a exposição à luz, sincronizando a floração com o mês de dezembro. Esse domínio técnico foi decisivo para transformar a poinsétia na “flor do Natal”, garantindo previsibilidade e escala à produção.

Quando tradição vira indústria

O artigo aponta que a poinsétia se tornou a planta envasada de maior valor econômico nos Estados Unidos, movimentando centenas de milhões de dólares anualmente.

Esse crescimento está associado à profissionalização do cultivo e ao papel de famílias produtoras, como os Ecke, que transformaram a poinsétia em um pilar da horticultura ornamental. A tradição cultural, nesse contexto, passou a caminhar lado a lado com a indústria.

Veja 5 dicas para evitar momentos constrangedores neste Natal

Conteúdo interativo removido automaticamente para manter a página AMP válida.

 

Recomendado
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.