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Novos acordos deixam um terço do comércio brasileiro com tarifas reduzidas

Por CNN 12/01/2026 03:25

A entrada em vigência de três novos acordos de livre comércio – Mercosul-União Europeia, Mercosul-EFTA e Mercosul-Cingapura – vai deixar quase um terço do comércio exterior brasileiro com tarifa zero ou alíquotas reduzidas, aumentando a inserção internacional do país e abrindo oportunidades de negócios para o setor privado, disse à CNN o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin.

Estimativas inéditas feitas pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio) indicam que, atualmente, cerca de US$ 78 bilhões de todas as exportações e importações brasileiras se beneficiam de algum tipo de acesso preferencial. Isso representa apenas 12,4% da corrente de comércio.

Esses números são referentes ao ano de 2025 e contemplam a livre circulação de bens com os demais parceiros do próprio Mercosul (Argentina, Uruguai e Paraguai), além de acordos do Brasil ou do Mercosul com os seguintes países: Chile, Bolívia, Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Israel e Egito.

O cenário muda significativamente com a assinatura dos tratados Mercosul-União Europeia, Mercosul-EFTA e Mercosul-Cingapura, abrindo a perspectiva de uma inserção internacional bem mais ampla.

Nos cálculos do MDIC, as exportações e importações brasileiras alcançadas por tarifa zero ou alíquotas reduzidas somam mais US$ 118,7 bilhões (ou 18,9% de todo o intercâmbio comercial do país) com esses três novos acordos.

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Quando todos estiverem em vigência, o volume de produtos brasileiros beneficiados por tarifas menores em outros países ou de bens importados entrando com alíquotas mais baixas no mercado nacional deverá chegar a US$ 196,4 bilhões. Isso representa 31,2% da corrente de comércio em 2025.

“A ampliação do comércio coberto por preferências comerciais fortalece nossa inserção internacional e abre novas oportunidades para as empresas brasileiras”, afirmou Alckmin à CNN.

“É um avanço muito expressivo, de aproximadamente duas vezes e meia, em um curto espaço de tempo, que reforça a competitividade da economia brasileira, estimula investimentos e gera mais e melhores empregos”, acrescentou o vice-presidente.

O tratado de livre comércio do Mercosul com Cingapura foi assinado em dezembro de 2023, mas ainda está em processo de revisão jurídica e ainda não foi remetido pelo governo brasileiro ao Congresso Nacional, que precisa ratificá-lo.

Em setembro de 2025, o bloco sul-americano firmou um acordo com o EFTA, grupo composto por quatro países europeus fora da UE: Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.

Nesta semana, após 25 anos de negociações, deve ser finalmente celebrado o tratado Mercosul-UE. A assinatura está prevista para ocorrer no sábado (17), em Assunção, já que o Paraguai exerce a presidência rotativa do bloco neste semestre.

Mais acordos

Depois do acordo com a UE, o Mercosul agora está engajado em negociações de livre comércio com pelo menos outros oito países:

Além deles, há discussões com Colômbia e Equador para aprofundar o acordo existente com o Mercosul, que já é de livre comércio, mas com considerado de “geração anterior”, com regras defasadas e tratamento superficial de outros temas (como serviços e normas aduaneiras).

O Japão conversa há tempos, com o Mercosul, sobre a ideia de lançar uma negociação de livre comércio. Neste momento, segundo fontes, um dos caminhos analisados é fechar uma “parceria estratégica” para depois começar as discussões comerciais efetivamente.

O Reino Unido, que está em uma série de tratativas após o Brexit, é outro que já mencionou o desejo de ter um acordo com o Mercosul — embora nenhum movimento concreto tenha sido feito.

De acordo com a embaixadora Gisela Padovan, secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, há interesse e empenho do governo brasileiro em levar adiante essas negociações, mas a multiplicidade de frentes coloca no radar um problema: a escassez de equipes negociadoras para atender todas as demandas.

“Gostaríamos [de avançar em todas as negociações]. Vontade, nós temos”, afirmou a embaixadora, em um encontro com jornalistas, em dezembro.

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