Chefe da Otan vê aliança “mais europeia” com avanço de gastos militares
A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) vai se tornar mais liderada pela Europa conforme os países do continente expandirem seus gastos militares, segundo o secretário-geral da aliança militar, Mark Rutte. Rutte chegou, nesta sexta (13), na Conferência de Segurança de Munique.
“Então, nos próximos anos vamos garantir mais e mais e veremos uma Otan mais europeia, mas, ao mesmo tempo, os EUA absolutamente ancorados na organização”, afirmou durante entrevista coletiva.
A União Europeia se comprometeu – até 2030 – a colocar 800 bilhões de euros no setor militar com o plano ReArme Europe. Algumas nações como Polônia, Lituânia, Letônia e Estônia escalonaram seus investimentos para acima de 3% do PIB – todos estes fazem fronteira com a Rússia ou Belarus.
O discurso de Rutte foi encampado pelos europeus. O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, disse que a participação da Europa “estabiliza a aliança” e reconheceu que a região estava fazendo pouco no cenário.
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“Essa partilha de encargos já devia ter acontecido há muito tempo. Os americanos esperam, compreensivamente, que nós façamos mais para a nossa defesa convencional”, disse Pistorius.
“A Otan precisa se tornar mais europeia para que ela siga transatlântica.”
O destaque de ambos aos Estados Unidos ocorre em um momento em que o país se mostra “pouco disposto” com a organização. Em janeiro, o presidente americano, Donald Trump, voltou a ameaçar a Groenlândia – que é controlada pela Dinamarca, país-membro da organização – e disse, por diversas vezes, que fez mais pela Otan “do que qualquer outra pessoa”.
Esse não foi o único ataque da administração americana aos parceiros.
Durante a Conferência de Munique de 2025, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, criticou os líderes europeus e disse que a ameaça que deveria preocupar o continente não vem de fora, mas, sim, de dentro – fazendo referência às políticas de imigração da União Europeia. Além disso, afirmou que os países da região reprimem a liberdade de expressão.
Vance não vai comparecer em Munique neste ano. A Casa Branca enviou o secretário de Estado, Marco Rubio, para o evento e tem um discurso agendado para este sábado (14).
Algumas lideranças europeias afirmaram, para o jornal The New York Times, que não esperam uma fala tão dura quanto a de Vance no ano passado – mas não descartam a possibilidade. O secretário-geral da Otan também segue esse discurso – mas reconhece que o americano pode ser um pouco duro.
“Rubio é um bom amigo e ele vai, sem dúvida, pressionar os europeus para assumirem um papel de liderança na Otan. Eu tenho confiança em seu discurso”, finalizou.