Início / Versão completa
geral

Produção de tomate bate recorde, mas clima desafia produção em 2026

Por CNN 20/02/2026 02:24

A produção brasileira de tomate atingiu um novo patamar em 2025, consolidando o país entre os maiores produtores globais da hortaliça/fruto, mas para 2026, o desafio deve ser o clima. De acordo com o balanço do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ano passado o país colheu 4,7 milhões de toneladas, um recorde histórico e uma alta de 27% em relação a 2022.

O recorde anterior foi registrada em 2011, quando 4,4 milhões de toneladas foram colhidas. Apesar do desempenho robusto, o setor entra em 2026 sob pressão climática e de custos, o que pode limitar a oferta e manter os preços elevados, conforme alerta o boletim da multinacional portuguesa Ascenza. No Brasil, a organização atua com defensivos agrícolas e patentes para cultivares de tomate.

Leia mais

O avanço se deu principalmente pelo melhor manejo no campo, com irrigação e melhoramento genético. As tecnologias promoveram maior produtividade por hectare, destacou a empresa. A área plantada passou de 52,3 mil hectares em 2022 para 63,3 mil hectares em 2025 — crescimento de 21%. Já a produtividade média subiu de 71 para 74 toneladas por hectare no período.

Mas, o início deste ano já trouxe condições meteorológicas desfavoráveis para a cultura. Chuvas frequentes combinadas com temperaturas elevadas aumentaram a incidência de doenças fúngicas e bacterianas, o que tem provocado manchas nos frutos e maior descarte nas lavouras.

Segundo Hugo Centurion, head da Ascenza Brasil, o cenário exige intensificação das estratégias de manejo. “O monitoramento constante da lavoura, programas integrados de proteção, rotação de ativos e uso correto de defensivos registrados são essenciais para reduzir perdas e preservar a sanidade das plantas”, afirmou em nota.

Ele destaca ainda que práticas como irrigação adequada, ventilação do dossel e uso de variedades mais resistentes — incluindo plantas enxertadas — ajudam a sustentar a produtividade mesmo em condições adversas.

Hoje, o Brasil está entre os dez maiores produtores globais de tomate, oscilando entre o 5º e 9º lugar do ranking, dependendo da safra. Atualmente, a China lidera a produção com folga, seguida por Índia, Turquia, Estados Unidos e países da União Europeia.

Dados da consultoria Mordor Intelligence apontam que o mercado global de tomate movimentou US$ 217 bilhões em 2025 e pode alcançar US$ 273,8 bilhões até 2030, com crescimento médio anual de 4,76%.

Oferta limitada, tomate mais caro

A menor disponibilidade de frutos de qualidade já começa a impactar o mercado atacadista. Levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo) mostra estabilidade recente nos preços em São Paulo e Belo Horizonte, mas altas expressivas em outras regiões.

No Rio de Janeiro, o tomate longa vida registrou valorização de 34% no início de fevereiro, com a caixa chegando a R$ 134,12. Em Campinas, a alta foi de 11%. Para efeito de comparação, o maior preço observado em fevereiro de 2025 foi de R$ 109,75.

A pressão altista pode persistir ao longo do ano. Projeção do FGV Ibre indica que o tomate deve acumular aumento próximo de 7% em 2026, impulsionado pela oferta restrita e pelos custos elevados de produção.

A produção nacional está concentrada principalmente em quatro estados: Goiás, São Paulo, Minas Gerais e Paraná. O cultivo é dividido em dois grandes segmentos de tomate de mesa (in natura) — cerca de 60% da produção – e tomate industrial — destinado a molhos, extratos e derivados.

Recomendado
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.