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Arábia Saudita manda petróleo para o Mar Vermelho; mas e os houthis?

Por CNN 13/03/2026 01:39 Atualizado em 13/03/2026 01:39

A Arábia Saudita tem desviado suas exportações de petróleo dos portos no Golfo Pérsico para o Mar Vermelho para evitar ataques iranianos contra embarcações na saída pelo Estreito de Ormuz.

Mas o estreito que liga o Mar Vermelho às rotas marítimas rumo à Ásiadestino da maioria do petróleo que passava por Ormuz – também apresenta riscos aos sauditas.

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O Estreito de Bab el-Mandeb fica entre o Chifre da África e o Iêmen, um país da Península Arábica que está em guerra civil desde 2014. Um dos lados beligerantes do conflito são os houthis.

Os houthis são um movimento que se opõe à influência saudita sobre outros países do Oriente Médio (especialmente na Península Arábica), à presença militar americana na região e ao Estado de Israel.

Tais defesas colocam os houthis ao mesmo lado do regime iraniano. Com o Irã, também guardam relações religiosas: o movimento iemenita vem do Norte do país, de população xiita – tal como é a maioria da população iraniana.

Entre 2023 e 2025, os houthis fizeram uma série de ataques contra embarcações sob alegação de vínculos com Israel, para pressionar contra o cerco israelense sobre o território palestino da Faixa de Gaza a partir do 7 de Outubro de 2023.

Estes ataques começaram a diminuir em 2024, após uma coligação liderada pelos EUA começar a patrulhar a região, interceptando drones e mísseis e também atacando instalações houthis.

No final de 2025, os incidentes praticamente cessaram, em meio às negociações mediadas pelos Estados Unidos para um cessar-fogo entre o grupo radical palestino Hamas e o Estado de Israel em Gaza.

Os houthis, porém, jamais anunciaram uma paralisação, suspensão ou diminuição dos ataques.

Nesta quinta-feira (12), em seu primeiro pronunciamento como líder supremo do Irã, Mojtaba Khamanei agradeceu o apoio que Teerã tem recebido de grupos aliados no Oriente Médio desde o início da guerra contra a ofensiva de Estados Unidos e Israel.

Mojtaba se referia ao libanês Hezbollah (que tem promovido ataques com foguetes sobre Israel) e a milícias aliadas no Iraque (que tem atacado alvos ligados aos EUA no próprio país).

O novo líder supremo também disse que os ataques sobre bases militares americanas em países árabes deve continuar, assim como o Estreito de Ormuz deve seguir bloqueado, como uma forma de pressionar os preços do mercado global de petróleo (cerca de 20% da oferta mundial passa por este ponto de estrangulamento) e impulsionar estados do Golfo a convencerem seus aliados em Washington a pararem com os ataques coordenados com Israel sobre o Irã.

Mojtaba também sugeriu que novos fronts podem ser abertos no conflito atualmente em curso.

“A abertura de outras frentes onde o inimigo é altamente vulnerável, caso a guerra continue, será considerada, levando-se em conta os interesses estratégicos”, acrescentou, em mensagem lida pela TV estatal iraniana.

Em 1º de março, o líder do movimento houthi, Abdul Malik, lamentou a morte do pai de Mojtaba, o ex-líder supremo Ali Khamenei, ocorrida nas primeiras horas de ataques de EUA e Israel, no dia anterior.

“O objetivo deles (EUA e Israel) era permitir que o inimigo israelense dominasse a região e remover o maior obstáculo para alcançar esse objetivo: a República Islâmica, com seu sistema islâmico, sua postura jihadista, revolucionária e voltada para a libertação, que rejeita a hegemonia sionista e apoia a causa palestina e os povos da região”, declarou, em pronunciamento em vídeo.

Um dia antes, Malik já havia colocado o movimento de prontidão para “quaisquer desdobramentos”. E disse que mobilizaria manifestações públicas pelas ruas do país.

Nos últimos meses, empresas do comércio marítimo global que ainda evitavam o Canal de Suez (que liga o Mar Vermelho ao Mar Mediterrâneo e, consequentemente, ao mercado europeu) vinham ensaiando um retorno para a rota. A guerra envolvendo o Irã reverteu tais planos.

“Estamos claramente em território desconhecido”, disse o CEO da companhia dinamarquesa Maersk, Vincent Clerc, em entrevista nesta semana à CNN.

Agora, há o temor e a expectativa de que os houthis repitam o que o Irã vem fazendo na saída do Golfo Pérsico pelo Ormuz: ataques contra navios-tanque, especialmente contra os que sairiam de portos da Arábia Saudita.

Os sauditas também são atores na Guerra no Iêmen: buscam derrubar os houthis do controle da capital (Sanaã) e colocar no poder um Executivo liderado por Rashad al-Alimi, que está baseado no Sul do país – de população sunita (tal como a Arábia Saudita) – e que conta com reconhecimento da ONU (Organização das Nações Unidas).

O Iêmen se tornou um único país em 1990, quando o Iêmen do Sul – um Estado socialista – ficou fragilizado pelo colapso da União Soviética e se uniu ao homônimo do Norte (cujas elites regionais passaram a liderar o governo do país unificado).

Desde então, grupos de ambas as regiões – e atores externos – buscam exercer controle sobre os rumos iemenitas.

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* Com informações da Reuters e da CNN

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