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Presidente do BRB descarta federalização e privatização do banco

Por CNN 02/03/2026 21:39 Atualizado em 02/03/2026 21:39

O presidente do BRB (Banco Regional de Brasília), Nelson Antônio de Souza, disse, nesta segunda-feira (2), que as possibilidades de federalização e privatização do banco estão descartadas.

As opções estão sendo ventiladas no mercado em meio à crise financeira da instituição, que pode ter um rombo de R$ 8 bilhões.

Nelson Antônio participou de uma reunião na CLDF (Câmara Legislativa do Distrito Federal) para discutir um projeto de lei que visa transferir imóveis do Distrito Federal para o BRB, numa tentativa de aumentar o valor patrimonial do banco.

Para tal, é necessária autorização dos deputados distritais do DF. No encontro, o presidente do BRB tentou explicar o planejamento da operação com os imóveis, além de responder a questionamentos dos parlamentares sobre a situação financeira do banco público.

“Federalização e privatização estão descartadas. O BRB é um dos poucos bancos estaduais do país e um dos mais fortes. A ideia de privatizar ocorre porque muita gente teria interesse em adquirir um banco como o BRB, que, nesse contexto, é quase como a joia da coroa”, disse o presidente da instituição.

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“Menu de possibilidades”

Segundo Nelson Antônio e também deputados presentes na reunião – que foi fechada e sem presença dos jornalistas – foram apresentadas opções que o banco considera para recompor os prejuízos causados pelos títulos podres comprados do Master.

O Banco Central deu até o dia 31 de março para o BRB apresentar o balanços com os dados de liquidez de 2025.

Estão sendo debatidas as ideias de posse de imóveis do governo brasiliense, venda de subsidiárias (como a BRB Financeira, por exemplo), criação de fundos especiais e a venda de ativos do Master que o BRB havia comprado.

Sobre os ativos que não estavam “podres”, ou seja, que têm algum valor, o presidente do banco disse que não pretende vendê-los por enquanto.

“Temos que esperar o momento certo pra comercializar os ativos do Master. Por enquanto, podemos fazer um fundo especial com eles, mas a venda precisa ser feita quando tivermos melhor valorização”, afirmou Nelson Antônio.

Fontes presentes na reunião afirmam que o chefe do BRB disse que “os bancos da Faria Lima estão doidos pra comprar os títulos do Master que o BRB possui” porque, agora, eles estariam bastante desvalorizados.

Segundo relatos ao CNN Money, os representantes do banco presentes no encontro projetaram em cerca de R$ 10 bilhões o montante de ativos do Master que podem ser aproveitados. O valor final ainda depende de auditorias no BRB. Entre os ativos “bons” estariam cemitérios, bares de aeroporto e lojas que eram do Master.

Votação decisiva

O projeto de lei que pode autorizar a transferência de imóveis públicos do Distrito Federal para o BRB deve ser votado nesta terça-feira (3) na CLDF. O governo de Ibaneis Rocha (MDB) tem feito articulações intensas nos bastidores para viabilizar a votação o mais rápido possível.

Deputados da oposição criticam a falta de uma análise mais longa acerca do tema, e defendem que o texto atual da proposta – que permite que grandes terrenos públicos, com alto valor imobiliário, passem ao domínio do BRB – seria uma espécie de “carta branca” para os gestores do banco.

Alguns oposicionistas chegaram a dizer que o presidente do BRB não apresentou nenhuma informação sobre os números do banco, e que a reunião se baseou em um “pedido de voto de confiança”, sem embasar o planejamento para recuperação da liquidez.

Já a base governista na Câmara Distrital argumenta que o BRB expôs detalhadamente o plano de recuperação, e que o banco público não vai precisar vender os terrenos, pois, segundo a base de Ibaneis, o BRB conseguirá resolver seu rombo antes que seja necessário embolsar o valor dos imóveis.

O rombo nas contas do BRB causado pela crise com o Master pode ser maior que a estimativa atual de R$ 6,6 bilhões, chegando a R$ 8 bilhões, de acordo com o presidente do Banco de Brasília. Ainda estão sendo feitas auditorias para definir o valor dos prejuízos.

*Sob supervisão de João Nakamura

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