O governo Lula (PT) deve lançar a nova versão do programa Desenrola, para o refinanciamento de dívidas das famílias brasileiras, no feriado de Primeiro de Maio, quando se celebra o Dia Mundial do Trabalho.
O Palácio do Planalto corre para que o programa esteja na rua a tempo de a população sentir um alívio econômico antes da eleição, enquanto a inflação mais contida e o mercado de trabalho aquecido não impedem que a renda do brasileiro seja cada vez mais consumida por dívidas e que a inadimplência pare de crescer.
Em fevereiro, o equivalente a 29,7% da renda das famílias brasileiras estava comprometida com o pagamento de dívidas, segundo relatório do Banco Central. O número representa um recorde na série histórica.
A busca do governo para reverter a insatisfação econômica antes da eleição presidencial, em outubro, foi tema de análise no WW desta segunda-feira (27).
WW: NOVO DESENROLA É PALIATIVO QUE MIRA REELEIÇÃO – 27/04/2026
Veja os destaques do bloco e assista à análise na íntegra:
Murillo de Aragão, cientista político e CEO da Arko Advice: Lula é o favorito porque ele é o presidente e é melhor candidato do que presidente – pelo menos neste último mandato. Tem gente que pode se sentir aliviada e ser grata ao Lula, mas todos esses programas assistenciais já foram uma grande novidade eleitoral. Hoje em dia, existem outras preocupações que também podem influenciar. Isso atende a um eleitorado mais ligado ao universo dos programas sociais – como sempre -, então é mais ou menos chover no molhado. Para Lula consolidar um favoritismo que ele ainda tem de forma precária, tem que mostrar mais do que isso.
Thais Herédia, analista de Economia da CNN: Se passou os últimos anos com o Banco Central puxando o freio de mão, e o governo federal acelerando. A taxa de juros continuou sendo extremamente elevada, e com um incentivo muito forte ao consumo. Nós temos as duas fontes de crescimento hoje no Brasil ligadas ou ao consumo das famílias, ou do próprio governo, com elevação de gastos. O Desenrola tem a cara de que vai provocar o mesmo alívio de 2023, mas não vai resolver o problema estrutural: um crédito com custo de intermediação cara, e com o governo ainda voltado para uma política de incentivo ao consumo das famílias.
Daniel Rittner, diretor editorial da CNN em Brasília: Vem mais bondade por aí. Uma delas sai nesta terça-feira de manhã: o perdão a multas aplicadas por evasão dos pedágios eletrônicos – o freeflow, que virou uma pedra no sapato do governo federal e de governadores. O Ministério dos Transportes vai lançar uma suspensão dessas 3 milhões de multas. Vai ser dado um prazo de 200 dias para que motoristas penalizados, ao invés de pagarem R$ 195 de multa, paguem os R$ 2, R$ 3, R$ 5, R$ 8 de pedágio. Só se não pagar é que é aplicada a multa, mas isso tem até meados de novembro para acontecer – e o que tem entre agora e meados de novembro…
* Publicado por Henrique Sales Barros