Início / Versão completa
geral

Bloqueio em Ormuz amplia pressão e custo político para Trump, diz Brustolin

Por CNN 23/04/2026 23:39 Atualizado em 23/04/2026 23:39

A decisão de Donald Trump de manter o bloqueio marítimo no Estreito de Ormuz segue ampliando tensões com o Irã e gerando impactos políticos e econômicos dentro e fora dos Estados Unidos. A medida ocorre em paralelo à tentativa de sustentar uma trégua no conflito.

Trump anunciou a extensão do cessar-fogo com o Irã na noite de terça-feira (21), um dia antes do prazo expirar. Ele afirmou que a medida continuará até que Teerã apresente uma “proposta unificada” para encerrar o conflito permanentemente.

Para o professor de Relações Internacionais da UFF (Universidade Federal Fluminense) e pesquisador de Harvard, Vitelio Brustolin, a estratégia revela limitações políticas internas que restringem alternativas mais agressivas.

Segundo ele, sem o bloqueio, opções como incursões militares diretas, incluindo a ocupação de ilhas iranianas, estariam no radar, mas enfrentariam forte rejeição. “Seriam medidas altamente impopulares. Trump não tem apoio para isso”, afirma. Nesse contexto, de acordo com Brustolin, o bloqueio surge como uma forma de pressão intermediária, ainda que carregada de riscos.

Brustolin também destaca que a condução da crise levanta questionamentos institucionais nos Estados Unidos. De acordo com ele, Trump recorreu ao artigo 2º da Constituição para justificar a ação militar, alegando ameaça iminente, sem consultar o Congresso.

Leia Mais

“Nos Estados Unidos, a guerra é vista como uma opção, não como uma necessidade”, observa. Para o pesquisador, a falta de consenso se reflete tanto na opinião pública quanto dentro do próprio governo. “Só cerca de 27% dos americanos apoiam essa guerra, e nem mesmo o gabinete do presidente apresenta consenso”.

No campo econômico, de acordo com Brustolin, o bloqueio no Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o fluxo global de energia, produz efeitos diretos sobre o mercado e o custo de vida nos Estados Unidos.

“Trump mantém esse bloqueio sabendo que ele afeta os preços da gasolina, do diesel e do gás natural dentro do país”, explica Brustolin. Na avaliação do professor, a pressão inflacionária, já sensível, tende a impactar a percepção do eleitorado em um momento politicamente delicado.

Vitelio Brustolin também destaca que os efeitos da medida também se estendem a aliados estratégicos no Golfo. Países como Catar e Emirados Árabes Unidos enfrentam dificuldades logísticas para exportação em meio às restrições, o que amplia o desgaste diplomático. “O bloqueio não afeta apenas o Irã, mas também parceiros importantes da região”, ressalta o analista, indicando que os custos da estratégia ultrapassam o alvo inicial.

Com a proximidade das eleições legislativas e índices de aprovação em torno de 36%, segundo pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira (20), Trump enfrenta um cenário de maior vulnerabilidade política. Nesse contexto, argumenta Brustolin, os efeitos econômicos do bloqueio e o desgaste diplomático tendem a pesar ainda mais sobre sua popularidade, ampliando o custo interno da estratégia. “Ele [Trump] está próximo de seus níveis mais baixos de popularidade”, conclui.  

Recomendado
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.