A autoridade sanitária da China suspendeu as importações de carne bovina de uma unidade brasileira após identificar a desconformidade em um lote exportado para o país.
A GACC (Administração Geral de Aduanas da República Popular da China) determinou a suspensão da habilitação de exportação da unidade. A restrição vale para embarques realizados a partir de 13 de abril..
O produto está associado ao estabelecimento com SIF (Serviço de Inspeção Federal) 1206, localizado em Várzea Grande (MT). A planta pertence à Pantaneira Indústria e Comércio de Carnes e Derivados, ligada à Frigosul, que atua no mercado sob a marca SulBeef.
Entre os destinos, a China segue como principal mercado da carne bovina brasileira segundo dados compilados pela Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes). Em março, foram 105,4 mil toneladas embarcadas — 38,9% do volume total — com receita de US$ 603,1 milhões, o equivalente a 40,7% do faturamento. Os Estados Unidos aparecem na sequência, com 38,1 mil toneladas e US$ 238,5 milhões, seguidos por Chile, União Europeia e México.
No acumulado do ano, o país asiático já absorveu mais de 335 mil toneladas, acima de 40% das exportações brasileiras.
A liderança ocorre em um momento de maior restrição comercial. Desde 1º de janeiro, a China aplica medidas de salvaguarda, com cota anual de cerca de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil. O volume que exceder esse limite está sujeito a tarifa adicional de 55%.
Dependendo do critério de contabilização adotado pelas autoridades chinesas, parte relevante dessa cota já pode estar comprometida. Em um dos cenários considerados pelo mercado, cerca de dois terços do limite anual já estariam preenchidos, o que pode antecipar o esgotamento ainda no meio do ano.
A CNN procurou a empresa e aguarda retorno. O espaço segue aberto.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) informa que acompanha, em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a suspensão temporária de uma unidade frigorífica, de um de seus associados, pelas autoridades sanitárias da China (GACC), em função da detecção de uma substância utilizada no manejo do rebanho. O Brasil possui um dos sistemas de controle sanitário mais rigorosos e reconhecidos internacionalmente, com monitoramento contínuo ao longo de toda a cadeia produtiva e atuação permanente do Serviço de Inspeção Federal (SIF). A carga já foi devidamente descartada, a pedido das autoridades chinesas, conforme os protocolos sanitários.
A medida tem caráter temporário e preventivo, com o objetivo de permitir a rastreabilidade da matéria-prima e a adoção das providências necessárias, conforme os protocolos sanitários estabelecidos pelas autoridades competentes. O tema segue sendo tratado no âmbito técnico entre as autoridades brasileiras e chinesas, com vistas à rápida normalização da situação. Os demais estabelecimentos habilitados seguem operando normalmente, assegurando o fluxo das exportações de carne bovina brasileira ao mercado chinês.